Ago 10, 2018

Cidade Sensível

Vários esquemas de cidades inteligentes depararam-se com atrasos, reduziram as suas metas ambiciosas ou custaram a todos, excepto os super-ricos. Um novo projeto em Toronto, chamado Quayside, espera mudar esse padrão de falhas repensando uma vizinhança urbana do zero e reconstruindo-a em torno das mais recentes tecnologias digitais.

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A Alphabet's Sidewalk Labs, com sede em Nova York, está a colaborar com o governo canadiano no projecto de alta tecnologia, previsto para a orla industrial de Toronto.

Um dos objetivos do projecto é basear as decisões sobre design, política e tecnologia em informações numa extensa rede de sensores que reúnem dados sobre tudo, desde a qualidade do ar até aos níveis de ruído e actividades das pessoas.

O plano exige que todos os veículos sejam autónomos e compartilhados. Os robôs circulam pelo subsolo realizando tarefas domésticas como entregar o correio. A Sidewalk Labs diz que vai abrir o acesso ao software e sistemas que está a criar, para que outras empresas possam criar serviços em cima delas, assim como as pessoas criam aplicativos para telefones celulares.

A empresa pretende monitorar de perto a infraestrutura pública e isso levantou preocupações sobre governação de dados e privacidade. Mas a Sidewalk Labs acredita que pode trabalhar com a comunidade e o governo local para aliviar essas preocupações.

"O que distingue o que estamos tentando fazer no Quayside é que o projecto não é apenas extraordinariamente ambicioso, mas também tem uma certa humildade", diz Rit Aggarwala, o executivo encarregado do planeamento de sistemas urbanos da Sidewalk Labs. Essa humildade pode ajudar o Quayside a evitar as armadilhas que atormentaram iniciativas anteriores de cidades inteligentes.

Outras cidades norte-americanas já estão a pedir para serem as próximas na lista da Sidewalk Labs, de acordo com a Waterfront Toronto, órgão público que supervisiona o desenvolvimento do Quayside. "São Francisco, Denver, Los Angeles e Boston pediram por apresentações", diz o director da agência, Will Fleissig.