Ago 22, 2018

Cartomancia Genética

Um dia, os bebés irão receber boletins de DNA no nascimento. Esses relatórios darão previsões sobre as suas chances de sofrer um ataque cardíaco ou cancro, ou de ficar viciado em tabaco e de ser mais inteligente do que a média.

A ciência que torna estes boletins possíveis chegou, graças a enormes estudos genéticos - alguns envolvendo mais de um milhão de pessoas.

Acontece que as doenças mais comuns e muitos comportamentos e características, incluindo a inteligência, são o resultado não de um ou alguns genes, mas muitos mais a agirem em conjunto. Usando os dados de grandes estudos genéticos em desenvolvimento, os cientistas estão a criar o que eles chamam de "pontos de risco poligénico".

Embora os novos testes de DNA ofereçam probabilidades, não diagnósticos, poderiam beneficiar muito a medicina. Por exemplo, se as mulheres com alto risco de cancro da mama receberem mais mamografias e as de menor risco tiverem menos, esses exames podem detectar mais cancros reais e desencadear menos falsos alarmes.

As empresas farmacêuticas também podem usar as pontuações em ensaios clínicos de medicamentos preventivos para doenças como Alzheimer ou doenças cardíacas. Escolhendo os voluntários com maior probabilidade de adoecer, podem testar com mais precisão o funcionamento dos medicamentos.

O problema é que as previsões estão longe de serem perfeitas. Quem quer saber que podem desenvolver a doença de Alzheimer? E se alguém com uma pontuação de baixo risco para o cancro adiar o rastreio e, em seguida, desenvolver cancro?

Os pontos poligénicos também são controversos porque podem prever qualquer característica, não apenas doenças. Por exemplo, podem prever cerca de 10% do desempenho de uma pessoa em testes de QI. À medida que as pontuações melhoram, é provável que as previsões de QI do DNA se tornem rotineiramente disponíveis. Mas, como usarão os pais e educadores essa informação?

Para o geneticista comportamental Eric Turkheimer, a chance de dados genéticos serem usados ​​tanto para o bem quanto para o mal é o que torna a nova tecnologia "simultaneamente excitante e alarmante".