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Dez 1, 2017

ÁGUA "COTADA" EM BOLSA?

Actualmente há uma enorme certeza no Mundo: a água é um bem cada vez mais escasso. Quem o diz são diversos cientistas que concluem que a água não tardará a ser um bem tão ou mais precioso que o petróleo. Por este andar, não faltará muito para termos em Wall Street a água como rainha das cotações bolsistas.

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Por HANS GRUBER

A desertificação de muitas regiões por causas naturais, em muitos casos devido à intervenção humana, tem-se vindo a alargar de forma alarmante. Cada vez chove menos e quando chove é em torrentes, de forma que destrói mais do que melhora. O El Niño não explica tudo mas dá uma grande contribuição para a instabilidade do clima no Planeta.

Para responsáveis governamentais de muitos países afectados por secas periódicas, a única forma de combater essa carência passa "por ir buscar" água ao mar. Mas, como reconhecem, a dessalinização de água do mar é, ainda, muito restrita, por causa dos altos custos operacionais e o consumo de energia.

A dessalinização, tanto de água salobra como de água do mar, constitui, em determinadas circunstâncias, uma solução para a escassez recorrente de recursos hídricos de algumas zonas como é o caso de países árabes, Espanha, ilhas Canárias, Baleares, Andaluzia e litoral mediterrânico ou, no caso de Portugal, da Ilha de Porto Santo no arquipélago da Madeira.

Com a aplicação dos mais recentes avanços tecnológicos – menor custo de investimento e de exploração – a osmose inversa impôs-se na dessalinização. Espanha iniciou a sua luta contra a seca através da osmose inversa de água do mar com a construção, a cargo da Degrémont, da instalação de dessalinização de Lanzarote, em 1983, tendo construído até aquela data, desde a década de 1970, várias instalações de osmose inversa de água salobra.

Do ponto de vista dos cientistas, a dessalinização é um desafio humano, tecnológico e económico de grande interesse devido à introdução do conceito de sustentabilidade: necessidade de reduzir o consumo energético das instalações, a emissão dos gases de efeito de estufa, a produção de electricidade para o funcionamento das instalações, o uso de reagentes e o impacto da descarga de salmouras com um elevado teor de sais na flora e fauna marinhas.

A solução para o problema poderia ser óbvia: aproveitar a abundância da água do mar para o uso comum por meio da dessalinização. Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e contêm 97% da água do planeta.

Mas, recentemente, graças às novas tecnologias, os custos foram reduzidos e fábricas de dessalinização estão a ser abertas pelo mundo fora.

Quatro quintos da capacidade mundial de dessalinização ainda são produzidos por processos de destilação em fábricas concentradas, na sua maioria, nos países do Golfo. A capital da Arábia Saudita, Riade, onde praticamente nunca chove e onde não existem rios nem lagos de superfície, responde sozinha por um décimo da produção mundial de água dessalinizada. Só uma dessalinizadora, instalada no leste da Península Arábica, abastece Riade com um bilião de litros por dia.

Nos típicos sistemas modernos de destilação, a água salgada é aquecida ao passar dentro de tubos no interior de uma câmara que contém sobras de vapor provenientes de uma fabrica de energia – uma espécie de radiador ao contrário. A água salgada quente entra então numa câmara despressurizada que reduz a temperatura na qual a água está fervendo. Então, esta "faz de tudo" para evaporar. Este princípio é chamado de eletrólise.

A segunda tecnologia de dessalinização, a da osmose inversa, ficou mais popular a partir dos anos 1970. Na sua essência, trata-se de um sistema de filtragem. A água bombeada é projectada por meio de uma forte pressão contra uma membrana que retém as moléculas maiores de sal e deixa passar as moléculas menores de água limpa. Contudo, os filtros são eficientes apenas em parte, e a água precisa ser pressurizada e passar pelos filtros várias vezes até conseguir ficar limpa.

Ambas as tecnologias requerem grandes quantidades de energia. Até recentemente, custavam milhares de euros para produzir um único metro cúbico (1.000 litros) de água sem sal - cerca de 100 vezes mais do que o custo do fornecimento convencional de água. Mas a fabricação de filtros melhores permitiu cortar os custos da produção de uma água potável aceitável. 

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