Business & Industry

Mai 1, 2016

TRADIÇÃO E REQUINTE NA PALMA DA MÃO

A completar 100 anos de existência, a Fábrica Sant'Anna na Rua do Alecrim, em Lisboa, Portugal, pode ter os dias contados. Trata-se nada mais, nada menos, do que a última grande fábrica de cerâmica que ainda fabrica azulejos, painéis e faianças artesanais na Europa, onde também ainda é possível visitar a Fábrica e aprender a arte, uma experiência para guardar na memória.

Em Portugal, é quase impossível imaginar um palácio sem o luxo dos azulejos que decoram os seus vastos salões e que dão cor aos jardins. Este artesanato centenário, exclusivo e requintado é tão apreciado que, mesmo nos dias de hoje, é fácil encontrá-lo na decoração das fachadas de muitos prédios, não só em Lisboa, mas também um pouco por todo o Mundo, levado pelos portugueses e amantes da arte, contando de forma original a História de Portugal.

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A Sant'Anna é uma fábrica de cerâmica portuguesa que fez questão de manter a tradição e que continua a produzir peças por métodos inteiramente artesanais, desde a preparação do barro até à vidração e pintura, mantendo os mesmos processos desde que nasceu, em 1741.

Em traços gerais, a técnica da azulejaria e cerâmica portuguesas caracteriza-se da seguinte forma: a pasta (ou barro) é moldada para adquirir a forma desejada, e em seguida é posta a secar ao ar até perder toda a humidade, e por fim, vai ao forno a cozer, "como se faz com os pratos dignos de chef". Quando terminado este processo, o barro é vidrado à mão e depois pintado pelos artistas. O processo artístico é concluído com uma última cozedura que confere às peças o aspecto, textura e brilho que as coloca entre as peças de artesanato mais exclusivas do Mundo.

Vejamos cada um em particular. O azulejo veio para Portugal, no século XV, através dos muçulmanos. No século seguinte, o país começa a fazer produção própria, inspirando-se na azulejaria italiana e flamenga, e mais tarde, no século XVII, na holandesa. Pintados à mão de forma singular, foram revestindo igrejas, palácios, mosteiros, fontes e casas senhoriais, seguindo sempre as tendências, como a "Arte Nova", "Art Déco" e a arquitectura moderna.

Outra das especialidades da Sant'Anna, os painéis de azulejos são obras únicas, sendo autênticas apenas aquelas que são assinadas pelos autores. Os painéis apresentam os mais variados desenhos, e muitos têm mais de três séculos. A Fábrica de Sant'Anna reproduz ainda desenhos por encomenda adaptados às necessidades e dimensões pretendidas.

Por fim, a faiança Sant'Anna é um tipo de artesanato bem representativo desta arte tradicional portuguesa que corre Mundo. Totalmente feitas e pintadas à mão, as jarras, vasos, pratos, candeeiros de tecto e de mesa, os cinzeiros, copos e muitos outros produtos dão requinte a qualquer decoração.

A Fábrica Sant'Anna tem duas lojas em Lisboa, uma na Calçada da Boa-Hora, que está aberta desde 1741, e outra na Rua do Alecrim, na zona turística do Chiado, inaugurada em 1916, sendo celebrado no corrente ano o seu centenário. É precisamente esta última loja, a mais emblemática e a que mais vende, que recebeu uma ordem de despejo com vista a ser convertida num imóvel dedicado a "Bordallo Pinheiro". Uma situação que desagrada aos proprietários e habitantes da cidade, para quem ela faz parte da História do país. Recuemos, pois, na História para melhor compreender o seu valor.

Em 1741, perto da Basílica da Estrela, nas então chamadas "Terras de Sant'Anna", em Lisboa, teve início uma pequena olaria de barro vermelho, que produzia apenas peças de barro sem decoração. Com o terramoto de 1755, houve necessidade de reconstruir a cidade de Lisboa, devolver-lhe a cor e a História. A olaria, e em especial os azulejos, por serem baratos relativamente a outros revestimentos de pedra, ganharam adeptos e tornaram-se moda.

O crescimento urbanístico obrigou a diversas mudanças de instalações da fábrica, sendo a última mudança para a Calçada da Boa Hora, onde labora actualmente. Aqui, os amantes deste artesanato podem frequentar workshops de pintura, bem como aprender um pouco sobre todas as fases de produção das peças. Com duração aproximada de três horas, os interessados tomam contacto com uma arte centenária e são desafiados a pintarem o próprio azulejo, uma experiência que fica seguramente na memória.

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