Lifestyle & Travel

Mar 1, 2017

O MISTÉRIO PERMANECE

É talvez um dos segredos mais bem guardados da Humanidade, as "Moais", também conhecidas como as "Cabeças da Ilha de Páscoa", estátuas esculpidas a partir das pedras do vulcão "Rano Raraku", que podem pesar 88 toneladas e atingir os 10 metros de altura, tornaram-se a principal atracção turística do Chile, mas o mistério que as envolve continua por desvendar.

A função que desempenham, como foram feitas e transportadas, são alguns dos mistérios das "Moais" ou "Cabeças da Ilha de Páscoa", no Chile. Mistérios que vão crescendo em virtude da investigação de inúmeros cientistas. O último prende-se com o facto de algumas "Cabeças" terem, afinal, os respectivos corpos enterrados, sendo que estes se encontram tatuados com inscrições que podem estar relacionadas com o "rongorongo", o sistema de escrita dos povos da Ilha que, apesar de várias tentativas, ainda não foi completamente decifrado.

A maioria dos especialistas em Páscoa conclui que, a invenção do "rongorongo" foi inspirada pelo primeiro contacto dos insulares com a escrita (aquando do desembarque espanhol no ano 1770), ou pelo trauma da escravatura, quando em 1805, duas dúzias de navios peruanos sequestraram metade da população e a vendeu em leilão para trabalho escravo nas minas peruanas de Guano. A maioria dos sequestrados morreu em cativeiro. Os sobreviventes foram repatriados, devido a pressões internacionais, mas contraíram varíola, causando a morte de muitos habitantes. Acredita-se que este foi um dos factores que contribuiu para o desaparecimento da população local – chamada "Rapanui".

Por estarem soterrados, os símbolos esculpidos na pedra vulcânica ficaram protegidos ao longo dos séculos. Alguns historiadores acreditam que as inscrições representam aspectos da cultura local, nomeadamente, canoas polinésias, pois diz-se que os polinésios chegaram ali de canoa e que, com o passar do tempo, ganharam a identidade "Rapanui".

Estima-se que as "Cabeças da Ilha de Páscoa" foram construídas, precisamente, pelo povo "Rapanui", entre 1200 d.C. e 1500 d.C., e que representam uma homenagem a antepassados que se destacaram como reis, guerreiros ou sacerdotes. Embora pesadas, e não se saiba ao certo como era efectuado o transporte, acredita-se que ficavam de pé, para serem transportadas para os "santuários", isto é, os locais onde hoje avistamos em média cinco estátuas alinhadas, a maior das quais "Paro", com 23 metros de altura, e que está inacabada. Outra das teorias, é que as "Moais" foram espalhadas pela ilha para homenagear líderes mortos - explicando assim, o facto de estarem colocadas de costas para o mar e de frente para as aldeias. Algumas estátuas têm uma espécie de chapéus vermelhos, os quais, segundo investigadores britânicos, simbolizam prestígio, podendo igualmente ser considerados nós no topo da cabeça, ou mesmo, o próprio cabelo atado em coque, um penteado típico dos habitantes da região.

Persiste a dúvida sobre se os corpos terão estado sempre enterrados, ou se tal se deve a um fenómeno da Natureza. O desaparecimento repentino dos habitantes locais torna inconclusivas as diversas teses dos investigadores. Há os que defendem que a superpopulação da Ilha levou à falta de alimentos e a conflitos internos, e os que acreditam ter havido um deslizamento de terras que varreu a população fazendo com que as estátuas ficassem enterradas. Certo é que «das 887 esculturas gigantes, as mais famosas são as 150 que se encontram enterradas», segundo Jo Anne Van Tilburg, Directora do "Projecto Estátua da Ilha de Páscoa" (EISP, na sigla em inglês).

Denominada Rapanui ("Ilha Grande"), Te Pito O Te Henúa ("Umbigo Do Mundo") e Mata Ki Te Rangi ("Olhos Fixos No Céu"), Páscoa é uma Ilha da Polinésia oriental, localizada no sul do Oceano Pacífico, a cerca de 3700Km de distância da costa oeste do Chile, e com capital em Hanga Roa. Diz-se que a sua origem está ligada aos navegadores do oeste do Pacífico que aportaram no local e criaram uma civilização singular e misteriosa, acreditando que ali se situava o "umbigo do mundo".

Não faltam motivos de especulação e de interesse sobre a Ilha descoberta pelo navegador holandês, Jakob Roggeveen. Após 17 dias de navegação, a bordo do navio "Afrikaanske Galei", os marinheiros trabalhavam normalmente, quando às 18h, no domingo de Páscoa de 1722 – daí o nome –, avistaram a Ilha. Vendo as "Cabeças", o capitão ordenou que ali passassem a noite, mas ao acordarem ficaram espantados por aquelas ali permancerem, e ordenou então o desembarque. Uma descoberta que ocorreu depois de terem combatido um galeão espanhol, graças à sua superior velocidade, numa expedição que durou quatro meses e que tinha como finalidade transportar e comercializar ferro da Holanda. Tudo corria de feição ao comandante Jacob Roggeveen.

Os historiadores acreditam que esta Ilha com forma triangular, originada por uma cratera vulcânica, foi povoada pelos ancestrais pascoenses que viajaram de veleiro desde a Indonésia, por volta do ano 8000 a.C., para povoarem o Pacífico Sul. Demoraram nove mil anos a alcançar os extremos da Polinésia: Páscoa, Nova Zelândia e Havai, onde encontramos figuras muito semelhantes às "Moais" de Páscoa. A Ilha passou para posse chilena no ano 1888.

É também na Ilha de Páscoa, região de Valparaíso que se situa o "Parque Nacional Rapa Nui", classificado como Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

As "estátuas de cabeças gigantes", por si só, sempre intrigaram a comunidade científica, por serem demasiado pesadas para serem transportadas por humanos há séculos atrás, e mesmo nos dias de hoje, apesar de toda a maquinaria moderna. Agora que decidiram escavar por baixo "dessas cabeças", o mistério ficou ainda maior e parece longe de estar desvendado, o que intencionalmente ou não, aumenta a curiosidade e o turismo na Ilha.

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