Culture & Art
Fev 1, 2017
O RITMO CALIENTE QUE ESTÁ A ATRAIR O TURISMO
Elevado, recentemente, a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o "Merengue Dominicano", nascido na República Dominicana, é uma expressão corporal e cultural enraízada na identidade do povo dominicano. Com ritmo veloz e malicioso, e influências espanholas, africanas e indígenas, atrai cada vez mais turistas. Dance connosco esta "melodia que pode ser de amor".
Diz-se que dançar faz bem à saúde e que é um excelente anti-depressivo, sobretudo se for ao som do alegre e contagiante "Merengue Dominicano". Desde Dezembro último, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) passou a integrar este ritmo, entre as tradições culturais a preservar para as gerações futuras em todo o mundo.
Para Leila Boasier Budecker, Directora Ibérica do Turismo da República Dominicana, «receber esta notícia é realmente uma conquista para a cultura dominicana já que o "Merengue" tem sido parte de nossa identidade há mais de um século».
Derivado de "merenque", o nome que os dominicanos davam aos invasores franceses no século XVII, esta dança pode ter tido origem nos escravos que, acorrentados uns aos outros, eram forçados a arrastar uma perna para poderem trabalhar nos campos de cana-de-açúcar. Outra versão, dá conta de que um dos grandes heróis da guerra da República Dominicana foi ferido numa perna, e quando regressou à terra natal, foi recebido em festa. Em respeito pelo que lhe tinha acontecido, todos dançaram a coxear e a arrastar uma perna. Há quem diga ainda que o "Merengue" foi buscar a sua designação ao doce com o mesmo nome (em português, "suspiros"), o qual é leve e doce, tal como a dança.
Seja qual for o caso, trata-se de uma dança caliente que alimenta a vida diária e social dos dominicanos, e que tem cada vez mais adeptos pelo mundo. Afinal, músicas como "Azur", de Cristian Castro, e "Suavemente", de Elvis Crespo, são reconhecidas em qualquer lugar.
O estilo mais popular do "Merengue" é habitualmente interpretado por um amplo conjunto de instrumentos que inclui saxofones, acordeões, trompetes e teclados.
Entre os anos 1838 e 1849, a dança "Upa Habanera", era popular em todo o Caribe. Um dos seus passos designava-se por "merengue", o que influenciou a instituição do nome como hoje o conhecemos. Porém, só conquistou definitivamente a popularidade nos anos 1850, destronando a Tumba, uma dança cubana.
Os jornais de Santo Domingo, a capital da República Dominicana, realizaram então uma campanha contra o "Merengue" em favor da Tumba, pois a alta sociedade não aceitava as letras vulgares deste estilo musical, a ausência de carácter religioso, e de a origem estar associada a negros africanos.
O auge da popularidade deu-se em 1930 quando o Ex-Presidente da República Dominicana, Rafael Trujilo, grande fã de "Merengue", utilizou este tipo de música na campanha presidencial. O músico, Luiz Alberti, escreveu o tema "Compadre Pedro Juan", que apresentava uma letra "decente", conseguindo assim que este estilo musical fosse aceite unanimemente pela sociedade, tornando-se a música simbólica da cultura nacional.
Durante as três décadas seguintes, o "Merengue" adoptou uma postura e um som mais sóbrios, para renascer em 1961, com influências do rock e R&B americano, bem como alguns elementos da salsa cubana. Uma paixão partilhada pelos povos de Porto Rico, Haiti, Venezuela e Colômbia. Actualmente, o "Merengue" tem influências norte-americanas, e embora os instrumentos tenham mudado, o ritmo continua inconfundível, e com passos que permitem aos dançarinos expressarem-se gingando.
O "Merengue" entrou para a lista de patrimónios dominicanos reconhecidos pela UNESCO, da qual fazem parte o "Espaço Cultural da Irmandade do Espírito Santo dos Congos de Villa Mella" e a "Tradição do Teatro Dançado Cocolo". Leila Boasier Budecker salienta ainda que, «esta declaração da UNESCO é uma demonstração de como o nosso ritmo transcendeu fronteiras e barreiras linguísticas, conseguindo chegar a todos os cantos do mundo». Com mais este reconhecimento, a República Dominicana, situada na América Central, e a segunda maior ilha caribenha, consolida-se como um destino turístico imperdível nas Caraíbas. Banhada a norte pelo Oceano Atlântico e a sul pelo Mar das Caraíbas, é um destino conhecido pelas praias maravilhosas, clima tropical ameno, temperaturas situadas entre os 25 e os 31 graus, paisagens irrepetíveis, riqueza cultural ímpar e pela hospitalidade e simpatia do povo.
Contactos * Turismo da República Dominicana em Portugal





