Business & Industry

Dez 1, 2017

O MELHOR DO MUNDO

O arquipélago de S. Tomé e Príncipe tem das melhores condições do mundo para a produção de cacau. Após um longo período de fraca produção, começaram a surgir em São Tomé e Príncipe, há pouco mais de cinco anos, algumas iniciativas com o objectivo de relançar a cultura de cacau no arquipélago. 

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Por ALFREDO MIRANDA

Até 2020, o país espera alcançar uma produção de, pelo menos, 10 mil toneladas por ano.

Após a nacionalização das "roças" (quintas) de cacau, em 1975, a produção diminuiu. Hoje, essas unidades de produção foram privatizadas e estão a contribuir para o desenvolvimento do país. Actualmente, a produção do país, que chegou a ser de 12 mil toneladas por ano, ronda as três mil toneladas.

O país foi em tempos o maior produtor mundial de cacau, diz António Dias, director da CECAB, Cooperativa de Produção e Exportação de Cacau Biológico e ex-ministro da Agricultura de S. Tomé.

Mas se o volume já não é tão grande, a qualidade pode compensar. São Tomé produz um chocolate, reconhecido internacionalmente como um dos melhores do mundo. Um dos responsáveis é o italiano Cláudio Corallo que investe na produção artesanal do chocolate que leva seu nome que, desde 2002, fabrica e vende chocolate de luxo, feito com o cacau de suas plantações e reconhecido internacionalmente.

Ainda hoje o cacau representa cerca de 90% ou mais do valor total das exportações. Segundo o economista Adelino Castelo David, ex-ministro e ex-governador do Banco Central, "o valor do cacau exportado foi sempre superior ao de serviços até 1992, período em que a situação começou a inverter-se até o aumento dos serviços, que compreende também viagens e turismo, que vêm crescendo gradualmente". Hoje a grande fatia do emprego no sector agrícola é no cacau.

Poderia ter sido feita uma "certa negociação da parte económica da independência", mas as plantações foram abandonadas, "então teve que se fazer uma tomada à força", comenta o economista Jorge Coelho, 56 anos, ex-candidato à Presidente da República. "Com a estatização da economia, toda a produção de cacau ficou na mão do Estado. Mas o Estado tentou gerir a produção de cacau de forma centralizada e foi ineficiente", considera.

O cacau era e poderá voltar a ser o petróleo de São Tomé, a sua maior fonte de riqueza, mas ao longo destes 40 anos a produção quase que morreu, sublinha o artista plástico Kwame de Souza. "Esqueceu-se que se criou uma sociedade à volta do cacau" e que as comunidades que viviam da agricultura empobreceram, empobrecendo assim o país, que passou a depender da ajuda externa.

Em 2014, a venda de cacau rendeu nove milhões de dólares, representando 93,9% das exportações de produtos agrícolas. Contudo, ainda é necessário apostar na qualidade e não na quantidade.

São Tomé representa uma «gota no oceano» da produção de cacau (a Costa do Marfim produz acima de um 1,5 milhões de toneladas) e, por isso, tem de apostar na qualidade. "É essa aposta que se tem vindo a fazer para que seja o primeiro produtor na qualidade do cacau; mesmo ao nível dos mercados internacionais existem nichos e fazendo apostas estou convencido que pode contribuir um pouco mais para economia", salienta Adelino Castelo.

"De facto é preciso que o governo faça apostas, por exemplo no cacau de qualidade, evitando-se a super-produção, e investindo na criação de estruturas fabris que transformasse o cacau em chocolate. Falta trabalho de casa", resume.

HÁ PROCURA DE INVESTIMENTO

O Governo são-tomense está a mobilizar meios financeiros para projectos estruturantes, particularmente nas áreas de porto e aeroporto, turismo, prestação de serviços e transportes.

"Somos um país extremamente dependente da ajuda internacional, vamos tentar reorientar alguns projectos e procurar que se aumente o volume da ajuda", explica o Primeiro-Ministro são-tomense, Patrice Trovoada.

O responsável são-tomense quer uma espécie de casamento entre o investimento privado em parcerias público-privada nessas áreas e o apoio da comunidade internacional na superação daquilo que considera de "fraquezas do país", nomeadamente a luta contra a pobreza extrema, a corrupção, melhorar a justiça, saúde pública e qualidade de educação.

Entre os projectos estruturantes, está o alargamento da pista e a modernização do aeroporto internacional de São Tomé e o porto de águas profundas.

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