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Abr 1, 2017
NAGINATA - A ARTE QUE FAZ O CARÁCTER
Se há herança que o Oriente vai dando à Humanidade, é inegavelmente, uma diversidade de disciplinas que procuram a evolução do Ser e que conduzem à elevação física, mental e espiritual. Artes Marciais como o Karaté, incluído como modalidade olímpica nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, são exemplo disso.
<Designa-se por Budo, que significa "Guerra" ou "Marcial", o conjunto de regras disciplinares que rege a ordem moral seguida pelos praticantes de Artes Marciais. Oriunda dos antigos Samurais (guerreiros), essas regras eram também chamadas de "Bujutsu", em japonês, ou "Técnicas de Guerra", em português.
Uma dessas Artes Marciais ancestrais é a Naginata - nascida no seio das forças de guerra da era medieval. Na Naginata é usada uma espada em forma de foice com cerca de 2,25m de comprimento. Os primeiros a usar essa espada no Japão foram os monges guerreiros, os "Yama-bushi", para protegerem os santuários dos bandidos. Até ao século XVI, a infantaria utilizava a Naginata para cortar as pernas dos cavalos, ferindo assim o inimigo de longe. A sua presença nas casas dos samurais de todas as categorias foi-se generalizando ao longo dos tempos.
Com o aparecimento das armas de fogo, a Naginata deixou de ser utilizada nos combates, mas manteve lugar de honra nas casas aristocráticas, onde era usada pelas esposas e filhas de samurais na defesa do lar.
No século XVI, as armas de guerra foram oficialmente interditas ao povo, a fim de assegurar o domínio da aristocracia Bushi, mas a tradição marcial tenaz encorajada pela insegurança da época fez com que esta arte sobrevivesse nos vilarejos, cidades e mosteiros.
Entre os anos 1603 e 1867, a Naginata foi também praticada pelas esposas e filhas de samurais, não só para autodefesa, mas também como método de desenvolvimento moral. A arma tornou-se decorativa e era igualmente usada como dote pelas noivas aristocráticas.
Já de 1868 a 1912, a Naginata foi praticada sobretudo com carácter de desenvolvimento pessoal e foi ainda introduzida no currículo das escolas públicas como disciplina escolar.
As primeiras associações para a prática da Naginata formaram-se a partir dos anos 1950, congregando mais de 15 estilos diferentes da modalidade. No ano de 1953 foi instituída a "ZEN NIPPON NAGINATA RENMEI" (Confederação Japonesa de Naginata, em português), organismo que regulamentou esta arte, reunindo as técnicas dos diversos estilos existentes num estilo único. Outra entidade foi constituída nos anos 1990 – a International Naginata Federation (INF) que congrega vários países e está divida em três secções: Japão, Europa e Américas.
Actualmente, esta Arte Marcial divide-se em dois tipos: o Atarashi Naginata (Estilo Moderno) e o Estilo Clássico.
O Estilo Moderno inclui vários aspectos do desporto competitivo, havendo dois tipos de provas: Shiai e Katá. O Shiai é a modalidade de luta, com o uso de equipamento de protecção. O combate consiste em desferir golpes na cabeça, garganta, tronco, punho e canela. O Katá é feito em dupla, realizando movimentos coreografados onde o objectivo é demonstrar, com a maior perfeição possível, as técnicas da Naginata.
Já o Estilo Clássico consiste dos diversos estilos de luta dos samurais. Neste estilo não há competições e os movimentos são desenvolvidos através da sequência de movimentos pré-definidos de ataque e defesa, realizados com grande velocidade, força e muita precisão.
Em qualquer um dos casos, o objectivo principal da modalidade mantém-se - o aperfeiçoamento do homem como um todo indivisível: corpo, mente e espírito.
Dizem os praticantes que os exercícios do Naginata geram intrinsecamente a necessidade do equilíbrio do corpo, o que pode trazer uma postura mais correcta e elegante. Activam a circulação sanguínea, proporcionando um melhor funcionamento de todos os órgãos e uma melhor condição física. Visa também o fortalecimento do espírito e do carácter individuais. Para isso, os praticantes recorrem ao "KIAI", um método de canalização de energia, cujos exercícios proporcionam a união total do corpo, espírito e espada. Os cumprimentos feitos no início e no fim de cada luta ou exercício também têm seu significado: respeito e espírito de colaboração entre parceiros. Assim, gera-se um elo entre os praticantes desta arte marcial pouco conhecida, mas tão completa e virtuosa.





