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Jul 1, 2017
SOLUÇÕES À VISTA
Uma das maiores causas de cegueira no ser humano é a degeneração dos fotorreceptores da retina. Até agora, não existe um tratamento clínico eficaz para estes distúrbios na retina. Mas isto parece que vai mudar em breve.
Cientistas e oftalmologistas do Instituo Italiano de Tecnologia desenvolveram um implante de retina que pode restaurar a visão perdida. O método mostrou ser eficaz em ratos a ainda este ano vai começar a ser testado em humanos.
Vamos começar pela retina. Fica localizada na parte de trás do olho e é composta por milhões de fotorreceptores sensíveis à luz. O ser humano tem o sentido da visão graças a estes fotorreceptores.
Mutações ou lesões em qualquer um dos 240 genes identificados, podem levar à degeneração da retina, em que as estas células morrem, mesmo quando os neurónios à volta não são afectados.
Pesquisas anteriores focaram o tratamento para a retinite pigmentosa a partir de aparelhos biónicos que estimulam os nervos remanescentes, intactos e funcionais, com luzes. Outras abordagens focaram-se mais nas alterações dos genes para reparar as mutações que causam cegueira.
A nova abordagem liderada pela equipa italiana, propõe o implante de uma prótese no globo ocular, que serve como substituto funcional da retina afectada.
O implante é composto por uma fina camada de um polímero condutor, colocado sobre uma base sedosa e coberto por outro polímero semicondutor.
O polímero semicondutor absorve os fotões quando a luz penetra nas lentes do olho e actua como um material fotovoltaico. E quando isto acontece, a electricidade estimula os neurónios retinais, preenchendo o espaço deixado vazio pelos fotorreceptores naturais danificados.
Os investigadores implantaram a retina artificial em olhos de ratos, com o objectivo de testar o método e tirar conclusões. Trinta dias após a operação, os olhos dos ratos tiram sarado e os testes tiveram início. Os investigadores pretendiam testar o nível de sensibilidade que tinham em exposição à luz – chamado reflexo pupilar – e comparar saudáveis e não operados com estes ratos operados.
Inicialmente expuseram estes animais a luz de baixa intensidade (um lux, não mais que o equivalente à luz de uma lua cheia) e os ratos operados não ofereceram maior resposta que os ratos não tratados.
Mas enquanto a luz se ia intensificando para quatro ou cinco lux (muito semelhante à de um pôr-do-sol escuro) a resposta pupilar dos ratos tratados era indistinta da dos ratos saudáveis. Seis a dez meses após a cirurgia, os ratos foram testados novamente e o implante mostrou estar ainda activo.
O cérebro dos ratos também foi monitorizado durante os testes de sensibilidade à luz, através de tomografia por emissão de positrões, e os investigadores viram um aumento da actividade do córtex visual primário, que processa a informação visual.
Puderam então concluir que o implante activa directamente os circuitos neuronais residuais na retina degenerada. Contudo, a forma como a estimulação funciona a nível biológico ficou ainda por explicar.
E os investigadores esperam que os resultados obtidos com os ratos possam ser transferidos para as pessoas, algo que ainda não têm certeza. "Esperamos replicar em humanos os excelentes dados obtidos com os modelos animais", disse a oftalmologista Grazia Pertile, uma das investigadoras. "Planeamos levar a cabo os primeiros ensaios em humanos na segunda metade deste ano e reunir informação preliminar desses resultados em 2018. Este pode ser o ponto de viragem no tratamento de doenças retinais extremas", concluíu.





