Culture & Art

Mai 1, 2016

Rock in Rio

Roberta Medina, Vice-Presidente Executiva do Rock in Rio

Conheça em detalhe a maior indústria de música do Mundo – o Rock in Rio (RiR), que tem lugar entre 19 e 29 de Maio, em Lisboa, Portugal. "O RiR fomenta o turismo, gera emprego e movimenta a economia nas cidades onde se realiza", RM.

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YVP - A ideia que o Rock in Rio é uma plataforma de comunicação que visa construir um Mundo melhor através da música está assimilada pelo público, independentemente dos países onde se realiza, ou quem o frequenta pensa nas bandas?

RM - Cerca de 50% do público afirma ir ao Rock in Rio por causa da festa, escolhem o dia de acordo com os artistas. A variedade de atrações, a qualidade das infra-estruturas e o serviço, tudo é importante. Por isso, garantimos sempre um line-up com grandes nomes nacionais e internacionais, entretenimento e música diversificados. A "Cidade do Rock" é um parque temático de música, com slide, roda gigante, patrocinadores, apostas arrojadas em inovação, como temos, este ano, o "Musical" e as "Pool Parties" na Eletrónica; é oferta de uma diversidade enorme com a EDP Rock Street, cujo tema é o Brasil, o Palco Vodafone que aposta na música nova, alternativa. A cada ano, o RiR oferece melhores infra-estruturas para que, e acima de tudo, os visitantes se sintam confortáveis e seguros. Quem vai ao RiR sabe que vai viver 12 horas de pura festa, harmonia e felicidade com amigos, família e diferentes pessoas que, pela oferta que o maior evento de música e entretenimento do mundo oferece, recarregam energias, deixando problemas e preocupações à porta. A cidade entra em clima "EU VOU!". O público sabe que o RiR tem iniciativas concretas "Por Um Mundo Melhor", e valoriza isso.

O conceito reflecte-se em mais público?

Acreditamos que sim! Quando o projeto social foi lançado, a nossa pesquisa indicou que 80% das pessoas comprava um produto mais caro, se fosse para contribuir activamente para uma causa social/ambiental.

Quais foram as mudanças mais relevantes decorrentes das iniciativas sociais do Rock in Rio?

Sempre focado na premissa "Por um Mundo Melhor", desde 2001, o RiR investiu cerca de 24 milhões de euros em projetos sociais e ambientais. O impacto das nossas ações está à vista: 304 mil árvores plantadas até 2016 em projetos de reflorestação; 100% de compensação das emissões do evento de gases com efeito estufa; mais de 200 entidades apoiadas; mais de 56 mil beneficiários anualmente no mundo; 100 salas de aula no Rio de Janeiro; 28 projetos da UNESCO financiados; uma escola na Tanzânia; um centro de saúde no Brasil; 14 salas sensoriais para cegos e jovens com deficiências; 760 painéis solares em 38 escolas portuguesas (prémio internacional "Energy Globe Awards"); 10 salas de música em escolas públicas brasileiras; 2.200 instrumentos doados a 150 ONGs brasileiras; 40 jovens formados em assistente de "luthier"; 80 bolsas de estudo em educação musical; 15.632 refeições e 37.000 sandes doadas a instituições de apoio a famílias em Portugal e nos EUA.

Que projectos sociais o Rock in Rio apoia em 2016?

Este ano, o RIR tem um projeto social próprio, o "Amazonia Live" que vai até 2019, atravessando as várias edições e países onde o evento está, e não só. Comprometemo-nos a plantar um milhão de árvores na Amazônia. O objetivo é de, com apoios e doações, chegar aos três milhões. Já chegámos a 2,1 milhões de árvores com a ajuda do Banco Mundial e da Universidade Estácio de Sá.

A Sustentabilidade é uma das vossas preocupações, exemplo disso é a certificação ISO 20121. Há dados sobre as medidas implementadas?

A ISO 20121 veio coroar o trabalho feito desde a primeira edição. A preocupação é o bem-estar do público e de todos os que estão relacionados com o evento. Focamo-nos na melhoria contínua e no compromisso de assumir as nossas responsabilidades e impactos causados. As medidas não são mensuráveis, reflectem-se na qualidade do que entregamos ao público, marcas e fornecedores. Investimos mais de 24 milhões de euros, compensámos 100% as emissões de carbono do evento, temos uma taxa de reciclagem global média de 70% e apoiamos várias causas sociais. Apoiámos cerca de 200 entidades que servem anualmente mais de 56.000 pessoas; doamos materiais no fim do evento (relva sintética, alcatifa, tecidos, restos de cenografia); fizemos uma auditoria energética em 2014 que levou à redução do número de geradores em 2016; temos um prémio que distingue o fornecedor, loja e stand com as performances mais sustentáveis, estabelecemos parcerias com empresas de transportes para facilitar o acesso em transporte coletivo...

Está a ser dado grande destaque à iniciativa "Amazonia Live". Fale-nos sobre ela. Quantas árvores plantaram no total das iniciativas do RiR?

"Amazonia Live" é o projeto social do RiR até 2019, com o mote "Mais do que Árvores, Vamos Plantar Esperança". Queremos impulsionar a mudança de comportamento para que cada um faça a sua parte no dia-a-dia para combater as alterações climáticas. A Amazonia abriga a mais importante reserva de biodiversidade do mundo, tendo um papel fundamental na redução do aquecimento global. Com esta acção, vamos restaurar as áreas desflorestadas nas cabeceiras e nas nascentes do "Rio Xingu". Segundo a Rede Amazónica de Informação Sócio-ambiental Georreferenciada (Raisg), de 1500 a 1977, cerca de 4,7% da Amazonia foi desflorestada e, só nos últimos 36 anos esse número subiu para 18%. 632 mil km2 foi a extensão de florestas que o Brasil perdeu até 2013. Até hoje, foram plantadas 304 mil árvores em projetos de reflorestação em Portugal, Brasil e EUA.

O Rock in Rio é também uma indústria. Quantas marcas estão associadas ao "festival" 2016?

Este ano, o patrocinador master é a Vodafone e os patrocinadores oficiais são a Samsung, Santander Totta, Continente, Pepsi Max e EDP. Temos ainda como media partners a SIC, o Grupo R/Com, Diário de Notícias e Sapo. Nos dias de evento, chegamos a cerca de 40 marcas presentes na Cidade do Rock.

Em que país teve mais impacto enquanto indústria e iniciativa social?

O RiR fomenta o turismo, gera emprego e movimenta a economia nas cidades onde se realiza. No total das edições, o RiR e parceiros investiram mais de 24 milhões de euros em causas sociais e ambientais. Foram criados mais de 173 mil postos de trabalho. No Brasil, segundo a Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro (Riotur), o evento gerou em 2011, 2013 e 2015, um impacto superior a mil milhões de dólares, atingindo em média 90% de ocupação da rede hoteleira, com cerca de 46% do público vindo de fora do Rio. Em Las Vegas, EUA (2015), gerou 107 milhões de dólares, mais 90 mil dormidas que em época "normal" (Fonte: Las Vegas Convention and Visitors Authority). Em Portugal, o impacto económico de uma edição é de 63 milhões de euros (Fonte: Universidade Católica, 2010).

Quanto custa o RiR? Quem factura mais, o RiR ou as empresas associadas ao evento?

O investimento para este ano, (construção do evento, marketing, infra-estruturas, contratação artística, RH, logística, fornecedores), é de 25 milhões de euros. É o mercado que ganha, pois é um impacto económico para mais de 40 marcas e centenas de fornecedores.

Quanto facturam em merchandising?

Cerca de 2% da receita de cada edição.

Quantos postos de trabalho permanentes existem, e quantos criam por evento?

A equipa fixa a um ano do evento é de 40 pessoas espalhadas pelo mundo. A equipa cresce com o aproximar de cada edição. A seis meses do evento, temos 100 colaboradores. O número aumenta gradualmente, alcançando o pico nos dias de festa com uma equipa que vai das 8, às 17 mil pessoas, dependendo do país.

Número de visitantes previstos para 2016?

Mais de 300 mil, como é habitual nas edições do evento em L

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