Science & Nature

Mai 1, 2017

Outra face da aquicultura

Em 2016 o comércio de algas marinhas obteve um rendimento que ultrapassa, a título de exemplo, toda a produção mundial de limas e limões. A captura de algas duplicou na última década e actualmente já existem autênticas quintas subaquáticas que tentam dinamizar e capitalizar um produto cuja existência a maior parte das vezes tem sido ignorada ou relegada para os restaurantes de sushi, mas que para além dos produtos alimentares tem sido utilizado em produtos farmacêuticos e cosméticos, com uma procura cada vez maior.

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A verdade é que, à medida que se esgota e estagna a pesca, com um número cada vez maior de espécies piscatórias em risco de extinção, a aquacultura tem vindo a crescer para compensar simultaneamente o desemprego – com a escassez de peixe há cada vez mais pescadores a dedicar-se à criação e apanha de algas – e uma hipotética escassez alimentar, sendo que é muito mais fácil gerir e substituir os produtos retirados das quintas de algas do que tentar aumentar a população das espécies de peixe ameaçadas ou criar essas espécies em cativeiro.

A industria produtora de algas já constitui 49 por cento da produção marítima como um todo, tendo atingido um valor global de 6,4 mil milhões de dólares em 2014, tendo subido para 8 mil milhões em 2016 e estimando-se que atinja a fasquia de 22 mil milhões em 2024. É uma opção rentável, cada vez mais predominante nas economias dos países em vias de desenvolvimento e nas economias emergentes, havendo já estudos da Universidade das Nações Unidas sobre como é possível expandir e transformar esta indústria em algo plenamente sustentável que poderá até beneficiar o meio-ambiente nos já depauperados oceanos do mundo.

Um exemplo de sucesso é a empresa Maine Fresh Sea Farms, em Walpole, nos Estados Unidos, fundada por Seth Barker, Betta Stothart e Peter Fisher. As suas quintas produzem algas marinhas em cordas com um comprimento de 60 a 180 metros, cultivando-as no mar e nos rios como em terra se cultivariam várias fileiras de produtos agrícolas. A empresa tem centrado a sua operação na produção de três tipos distintos de algas, remetendo-as para restaurantes espalhados por todo o território dos Estados Unidos da América.

Além do típico arroz enrolado em algas a que estamos habituados a ver nos restaurantes que servem sushi, as algas são também apropriadas para serem ingeridas em sopas, guisados e até em saladas, com enormes benefícios tanto em termos de sabor como de saúde.

A empresa produz tanto algas frescas como secas, com produção biológica, ou seja, sem quaisquer químicos que lhes alterem as características naturais, uma vez que as algas são consideradas uma "super-comida" graças ao elevado número de micronutrientes que possuem, bem como vitaminas A e C, alto teor de cálcio, proteína e iodo.

A empresa, fundada em 2014, optou for estabelecer as suas quintas em Clark Cove, graças às suas águas pristinas e protegidas. Esta baía beneficia de várias correntes de maré e tem um histórico notável como local de eleição para várias experiências no campo do cultivo da aquicultura, que data já de 1975, altura em que foi criada a primeira quinta de mexilhões. Os seus três proprietários contam com a experiência de carreiras anteriores nos ramos da biologia marinha, da venda de produtos do mar e desenvolvimento de sustentabilidade para garantir que, em conjunto, tenham conseguido levar a bom porto esta aventura, com o objectivo de providenciar a todos os interessados uma fonte de "vegetais marinhos" de alta qualidade.

Desde 2007 que a aquacultura se tornou popular, mas até à data o principal foco produtor tem sido a domesticação de espécies de peixe que se encontram ameaçadas ou em perigo de extinção no meio ambiente. À medida que a população mundial se torna cada vez mais exigente com a qualidade dos alimentos que consome, as algas têm vindo a ocupar uma posição cada vez mais relevante, estando prestes a ultrapassar metade da produção de aquacultura em todo o mundo com benefícios, tanto para os novos "agricultores marinhos" como para os consumidores.

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