Research & Education
Mar 22, 2018
NO TOPO DO MUNDO
Aqui vão as más notícias: caso não tenha reparado, não existe um emprego com a designação "matemático". Portanto, não incomode os seus filhos com uma formação superior como matemático – ele, provavelmente não vai gostar da ideia e nunca conseguirá um emprego estável.
<Por PIOTR PETROVICH
Claro, o mundo precisa de matemáticos para várias tarefas em vários sectores de actividades económicas e tecnológicas. Mas até trabalhos de matemática exigem fortes bases em disciplinas como gramática, história e arte.
Há quase 50 anos, a Finlândia, decidiu tomar um rumo diferente no seu sistema educativo e, a julgar pelos resultados, os finlandeses tomaram o rumo certo: o seu sistema educativo de nível primário foi considerado #1 no mundo em 2016, de acordo com o Fórum Económico Mundial.
Actualmente, as primeiras gerações a receber estas inovações, estão agora a mostrar resultados quase diariamente. Porque a Finlândia é actualmente o mais dinâmico país na criação de projectos start-up que, em curto espaço, se tornam sucessos. Considere só estes números: quatro mil start-ups criadas todos os anos; o sistema educativo representa 6,3 mil milhões de euros no país (a seguir ao sector alimentar); e cada nova escola não custa ao estado central menos de 10 milhões de euros.
Adicionalmente: a educação é totalmente gratuita desde o pré-escolar até à universidade; quase não são necessários livros (as crianças trabalham diariamente a partir de tablets); apenas tem um exame até chegar à universidade; não existem trabalhos de casa; não se chumba em nenhuma no; e as turmas são compostas por crianças de diferentes idades e estratos sociais.
Uma escola finlandesa actual, é bastante despida de paredes. Uma escola regular tem apenas uma sala de aula clássica fechada, com mesas e cadeiras; todas as outras têm sofás ou cabines onde as crianças trabalham com os seus tablets. A ideia é fazê-los aprender através da tecnologia com os métodos que os livros não são capazes de ensinar.
Aplicações como a Lightneer e a Mightifier são as mais comuns nos tablets. Peter Vesterbacka, co-fundador da Lightneer, explica a visão da empresa em relação à educação: "quando apresentámos o jogo (Big Bang Legends, uma espécie de 'Pokémon da Física') aos miúdos, deixámo-los sozinhos durante uma hora. Quando voltámos, disseram que gostaram muito. Quando perguntámos o que tinham aprendido com o jogo, disseram 'nada'. Mas quando lhes perguntei quantos protões e neutrões tinha um dos personagens todos acertaram". "Professores ligavam-me a meio da noite a dizer que nunca tinham visto as crianças a aprender tanto e tão depressa".
Quando questionada quanto à relação entre o sistema educativo e o sistema empresarial, Kirsi Haapamäki, representante da Mightifier, sorri orgulhosamente: "este modelo oferece aos miúdos a liberdade e as ferramentas para que eles pensam por si próprios. O sistema encoraja-os a descobrir as próprias soluções, respostas e métodos de trabalho. No fundo, estamos a prepará-los para darem as respostas a perguntas que ainda nem fizemos".
Entre as start-up nascidos à volta do sistema educativo, está a Helsinki International Schools (Hei Schools) que exporta o modelo educativo finlandês, dando formação a professores, aconselhando sobre produtos e conceitos recreativos (aplicações, livros e brinquedos) e no design do interior das escolas, também.
A palavra chave para este sucesso mundial é flexibilidade.
De facto, nas escolas finlandesas que seguem o princípio do "plano aberto", não há diferenças entre salas ou corredores. Todas as salas de aula "tradicionais" são espaços multimodais, apenas separados com paredes de vidro e divisórias móveis. Todo o mobiliário é adaptável, e inclui puffs e sofás.
Desta forma, os professores e estudantes, podem escolher facilmente o espaço mais apropriado para desenvolver qualquer tipo de trabalho ou projecto, dependendo dos requisitos das equipas: "a melhor forma de levar as crianças a definir os seus próprios objectivos, resolver os problemas e concluir a aprendizagem baseadas nos objectivos", diz Raila Oksanen, consultora da empresa finlandesa FCG (um empresa multifacetada que fornece serviços em infraestruturas, ambiente e design urbano, formação multidisciplinar e desenvolvimento de serviços públicos).





