Business & Industry

Fev 1, 2017

NOVOS PARÂMETROS DA INDÚSTRIA MEDIÁTICA

Com o mote: "Afirmar o Jornalismo", o Cinema de São Jorge, um dos mais prestigiados e antigos de Portugal (a abertura data de Fevereiro de 1950), recebeu o "4º Congresso dos Jornalistas Portugueses", em Janeiro último, onde se discutiu o futuro do sector, nomeadamente o papel dos jornalistas, a concorrência e o financiamento dos meios de comunicação social.

Para além do papel do jornalismo, dos jornalistas, das condições de trabalho, salários, ética e deontologia profissional, tiveram lugar diversos debates que envolveram directores e patrões dos meios de comunicação social do país.

Ficou claro, que o jornalismo se confronta hoje com duas premissas muitas vezes opostas. Por um lado, a de afirmar a sua missão de sempre, interpretar, informar e servir a sociedade, os leitores, os ouvintes, os telespectadores e os anunciantes. Por outro lado, a de influenciar a opinião pública, atrair mais "clientes" e contratos publicitários.

A "procura de novas receitas" levou a uma crescente espectacularização do jornalismo, nos últimos anos. Contudo, concluiu-se que não só descaracterizou a classe e a credibilidade dos conteúdos, como não trouxe a solução em termos de financiamento da indústria. Nesse sentido, os olhos estão agora postos nos novos players como a Google e o Facebook, dado que estes conseguem colocar publicidade a um preço mais baixo. A Internet, as redes socias e os dispositivos móveis surgem assim como as novas plataformas que permitem produzir e disseminar conteúdos de forma mais instantânea, mas também mais efémera. A informação circula a grande velocidade, é actualizada constantemente e é partilhada e transformada pelo público através de comentários e de opiniões. O jornalismo é hoje mais participativo, contudo, verifica-se que não basta ter leitores, ouvintes, audiência, há que fazer com que estes partilhem o que leem, ouvem e vêm. Por isso, os contratos publicitários, tão importantes para a sobrevivência dos meios de comunicação social têm de reger-se por estes novos parâmetros da indústria.

A concorrência da Google e das Redes Sociais, bem como a fraca regulamentação dos canais de televisão estrangeiros disponíveis foram igualmente apontados como comprometedores do trabalho jornalístico, sendo necessário mudar a legislação que regula estas matérias.

A "sustentabilidade" foi um tema consensual para os patrões dos média, não só pela necessidade de encontrar novas formas de rentabilizar o sector, mas também para viabilizar um jornalismo de qualidade. Segundo o presidente do grupo português Global Media, «o digital vai sobrepor-se, a curto/médio prazo. É urgente ter um modelo de negócio para nossas empresas, que seja sustentável», afirmou Daniel Proença de Carvalho.

Para Francisco Pinto Balsemão, patrão do grupo Impresa, «só uma empresa que consiga ganhar dinheiro é que pode realizar despesas, investimentos e garantir a independência dos seus conteúdos».

Paralelamente a esta nova realidade, observa-se um crescente interesse em publicar, divulgar e na leitura de artigos científicos, de tecnologia, saúde e de investigação, enquanto o cresce o desinteresse pelo sensacionalismo mediático.

Quem também tem testemunhado esta nova tendência é o vencedor do "Pulitzer de Serviço Público em 2003", e jornalista de investigação no "Boston Globe", Michael Rezendes, que esteve no referido "Congresso". Para o jornalista norte-americano, «as dificuldades sentidas, actualmente, na indústria são semelhantes a nível global, não são exclusivamente portuguesas. Continua a ser fundamental ter jornalistas na rua em vez de sentados nas redacções, e contrariamente ao que se afirma, fazer jornalismo de investigação é economicamente viável e faz sentido porque os artigos de investigação fazem aumentar o número de subscritores do jornal», explicou aludindo à sua experiência pessoal.

Para a Organização, dos debates realizados conclui-se que «a dimensão reduzida das redacções, o tempo para a execução do trabalho e os baixos salários são alguns dos aspectos que comprometem a qualidade da informação prestada aos leitores e consequentemente a profissão».

O estatuto de fonte, a definição e o papel do jornalista vão merecer maior vigilância das entidades portuguesas competentes. Foi ainda aprovada uma resolução com 12 pontos, aprovada sem votos contra e sem abstenções. Os profissionais esperam a aplicação das medidas e que a classe se reúna com mais frequência. Recorde-se que passaram 18 anos do último "Congresso" realizado no país. A título de exemplo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) já vai no 29º Congresso e reúne de três em três anos para reflectir sobre a profissão.

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