Business & Industry

Jun 20, 2018

NOVO CICLO DE INVESTIMENTO EM ANGOLA

A economia de Angola está a iniciar um novo ciclo de recuperação, para cujo aproveitamento se conta com a recuperação – que já se verifica – do preço do petróleo e com a assistência técnica do Fundo Monetário Internacional

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Por ALEKSANDR SAVCHENKO

Mas o principal trunfo para a retoma é a criação dum clima de expectativa positiva que o Executivo saído das eleições tem criado no país e no exterior ao assegurar de forma concreta maior transparência no uso dos bens públicos e ao criar melhores condições para atrair investimento estrangeiro que traga 'know how' e ajude a criar empregos para os jovens que terminam os estudos e querem começar a trabalhar.

A dimensão do mercado interno cresce com o forte aumento da população e a estabilidade política e social que, como as eleições demonstraram, abrem novas oportunidades mais interessantes e produtivas para quem quer investir e ganhar no novo ciclo que agora se inicia.

Devido à queda do preço do petróleo em 2014 Angola, tal como todos os países produtores de petróleo, sofreu nos últimos três anos uma crise económica severa que implicou a necessidade de adoptar medidas de austeridade que tiveram repercussões na redução do ritmo de crescimento, na subida da inflação e na acentuada desvalorização do Kwanza, a moeda nacional.

Mas, graças às reservas cambiais antes acumuladas, aos apoios que os principais bancos angolanos concederam e à política de estabilização que foi implementada, apesar das inevitáveis restrições de carácter social impostas, Angola conseguiu sobreviver sem sobressaltos às dificuldades e o país está hoje em condições para relançar um novo ciclo de recuperação.

De facto, o choque causado em 2014 trouxe lições importantes, que os angolanos aprenderam à sua custa, que as dificuldades se enfrentam com unidade e que é grave o risco de um país depender de um único produto cuja cotação é calculada em mercado internacional aberto, sem que cada um dos produtores tenha margem de manobra para resistir aos movimentos da oferta e procura mundial.

Toda a sociedade foi atingida pela crise, mas entre os sectores mais atingidos encontram-se os bancos comerciais, que passaram a enfrentar uma situação macroeconómica desequilibrada, com diminuição de recursos, com aumento de incobráveis, com redução de receitas e diminuição sensível de clientes economicamente solventes.

Mas, se houve bancos que sofreram bastante com este clima recessivo, outros souberam enfrentar as dificuldades e manter uma trajectória positiva em termos de depósitos captados, de crédito concedido e de resultados alcançados e que, inclusive, aproveitaram a conjuntura para se reorganizarem para o futuro.

O Banco Sol ultrapassou as dificuldades e reforçou a sua posição no sistema bancário nacional e manteve índices adequados de solvabilidade e rendibilidade durante a crise. Com 17 anos de existência e com uma rede de quase 200 balcões espalhados por todo o país, o Banco Sol gere um volume de depósitos equivalente a 2.165 milhões de dólares, atingiu 55 milhões de dólares de lucro líquido em 2017, sensivelmente o mesmo nível verificado em anos anteriores, o que representa uma rendibilidade do capital de 26%, e acumula 220 milhões de dólares de Fundos Próprios.

Tem mais de 600.000 clientes em Angola mas, para além da sua actividade de banco de retalho, o Banco Sol aproveitou esta fase para se preparar para apoiar investidores nacionais e estrangeiros em análise de projetos de investimento e organização de operações de "corporate" e "project finance", privatizações e compra de empresas, tendo começado a desenvolver actividade de "investment banking". 

Além disso, o Banco Sol procurou melhorar a eficiência dos serviços de pagamentos e transferências para o exterior e deu a maior atenção ao rigoroso cumprimento das regras de "compliance", de acordo com as normas legais e regulamentares em vigor, tendo implementado um programa exaustivo para garantir o cumprimento rigoroso a toda a legislação e regulamentação contra o branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, questão a que o BNA, o Banco Central de Angola, tem vindo a dar a maior prioridade para melhorar a reputação internacional do sistema bancário nacional.

A prioridade de internacionalização adoptada em 2013 e desde então prosseguida de forma consistente coloca o Banco Sol em condições para dar resposta às solicitações que surjam na sequência da recente revisão da Lei do Investimento Privado, garantindo mais desburocratização, celeridade e protecção dos direitos dos investidores, o que é um passo na direcção da abertura da economia de Angola ao investimento nacional e estrangeiro que contribua para o desenvolvimento económico e social do país.

As grandes prioridades actuais são o lançamento de novos projetos na agricultura e na agroindústria, nas indústrias ligeiras, na petroquímica, nas telecomunicações e tecnologias de informação, no turismo e em toda a vasta área dos serviços, segundo uma clara estratégia de diversificação da economia para reduzir a dependência do petróleo. Angola precisa de investimento estrangeiro para criar empresas competitivas e empregos, não apenas na indústria do petróleo e do gás, havendo estudos isentos de viabilidade que demonstram que há muitos projectos que em Angola podem atingir taxas apreciáveis de retorno de investimento.

Investir em Angola é hoje uma opção válida para quem tenha uma visão de médio e longo prazo, pois irá acontecer uma aceleração do desenvolvimento económico e social se houver um esforço sustentado de investimento orientado para a diversificação da produção nacional, a substituição da importação de produtos que podem ser produzidos em Angola e o fomento das exportações, especialmente para países da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) a que Angola pertence, que é a prioridade da nova política económica do Executivo Angolano.  

O ponto essencial é saber aproveitar essas oportunidades e, para isso, é essencial o apoio dum Banco local que conheça bem o contexto e ajude a resolver as eventuais e normais dificuldades que sempre podem surgir na entrada em qualquer país. Cabe especialmente às Instituições Financeiras locais desempenharem um papel activo para fomentar parcerias que atraiam novos investimentos que interessem a Angola e aos investidores externos e que essas parcerias funcionem com obediência às melhores práticas internacionais de gestão transparente.

É um papel que o Banco Sol quer desempenhar e está hoje melhor preparado para se articular com instituições e bancos internacionais e com clientes estrangeiros, inclusive nos Estados Unidos, na Europa e na China, que queiram olhar para as novas oportunidades que a economia de Angola abre hoje ao mundo. 

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