Lifestyle & Travel

Fev 1, 2017

O AMOR EM TEMPOS DE TINDER

No mês em se celebra o "Dia de S. Valentim" ou "Dia dos Namorados", como também é conhecido o dia 14 de Fevereiro, reflectimos sobre a forma como hoje as pessoas se relacionam e conhecem. Longe vai o tempo do namoro à janela, pelo menos na maior parte do globo. O mesmo globo onde, por um lado, há casamentos destinados desde o berço, e por outro lado, uma multiplicidade de escolhas em matéria de relacionamentos amorosos.

Se recuarmos aos 1980, e à obra do escritor colombiano, Gabriel García Márquez, "O Amor nos Tempos de Cólera", recordamos a história de amor de Florentino e Fermina que se se conheceram devido à profissão de telégrafo desempenhada pelo protagonista. Florentino conheceu Fermina por entregar correspondência ao pai desta, e foi por carta, e passados dois anos que a pediu em casamento. Ela demorou quatro meses a responder, referindo que aceitava, mas que o enlace só poderia acontecer passados dois anos. Entretanto, o pai descobre a troca de correspondência entre ambos, e entende que a filha deve seguir outro rumo. Os "amantes" ficam perto de 53 anos quase sem nenhum contacto… mas o amor vence. 

Gradualmente, fomos passando de histórias semelhantes a esta, retratadas em livros e filmes, para uma "multiplicidade de possíveis triângulos amorosos", que podem ter lugar em simultâneo, muito proporcionados pelas redes sociais. Naturalmente que nesse jogo compete a cada um tomar as suas decisões. Ser feliz por um bocado, ou para toda a vida, procurar um relacionamento fugaz ou o amor verdadeiro, o que procuram efectivamente os utilizadores de redes sociais como o Tinder?! Ninguém consegue dar uma resposta ao certo, tal como é previsível nas questões do coração. Existem, todavia, teorias e análises sobre o comportamento dos seus utilizadores.

Resumidamente, o Tinder é um site de encontros que utiliza dados de geolocalização e do Facebook para colocar utilizadores em comunicação, partindo da premissa de que eles estão interessados em encontrarem-se pessoalmente, e na maioria dos casos há uma intenção de relacionamento "romântico", a disponibilização de fotos muito trabalhadas, e linguagem de cariz erótico e sexual. De forma simples, confortável, e em poucos minutos pode ter um "flirt". O processo é fácil, ao visualizar a imagem de alguém na página principal, pode clicar na imagem e aceder a mais fotos e informação. Se gosta da pessoa, desliza a foto para a direita, caso não goste desliza para esquerda. Se a pessoa que escolheu também gostar de si, acontece o que se designa por "match", e a partir daí tem três hipóteses: enviar uma mensagem privada ao outro, partilhar a correspondência no Facebook ou continuar à procura de gente interessante, pois se não gostar, ninguém fica a saber.

O Tinder indica-lhe ainda as pessoas que estão disponíveis numa distância que varia entre 2 e 160 quilómetros do local onde você se encontra, facilitando o encontro pessoal, se desejar. O método é "tão rápido como acender um fósforo".

Esta forma de relacionamento proporciona situações muito próprias, como o designado "impasse familiar", isto é, há utilizadores que fazem "match" a membros da mesma família; há pessoas que vão directas ao assunto dizendo muito objectivamente que não querem fazer amigos, mas ter um encontro sexual; outros usam-na para se promoverem e fazerem negócio; e quem se divirta, brinque ou goze.

As teorias dividem-se. Há quem veja a aplicação como um meio fácil para comportamentos promíscuos, com base em escolhas superficiais, feitas a partir de uma fotografia. Quem a encare como uma ferramenta que ajuda a enganar a solidão, ou a escamotear problemas relacionais e de compromisso. É igualmente vista, incluindo por psicólogos, como um meio de conhecer pessoas novas ao viajar para um destino novo. Pessoas tímidas, introvertidas, inseguras, com menos recursos sociais, estão assim mais protegidos da rejeição porque ensaiam comportamentos de sedução, conseguindo encontros que de outra forma dificilmente aconteceriam.

Numa sociedade monogâmica, a aplicação deveria ser usada apenas por pessoas descomprometidas, na verdade não é assim, nem todas as sociedades são monogâmicas. Há sempre quem consiga observar as lacunas e ver oportunidades de negócio onde outros encontram problemas. Nesse sentido, surgiu o site Swipebuster que ajuda pessoas que suspeitam de que os parceiros usam secretamente o Tinder. Por 4,99 dólares pode pesquisar sobre três utilizadores, através do primeiro nome da pessoa, idade e a localização onde a app terá sido utilizada pela última vez.

Dados do Tinder indicam que metade dos utilizadores são solteiros, cerca de 15 milhões são casados, e 12% namoram. Os homens passam mais tempo na app, ficam em média, oito minutos e meio, mais um do que as mulheres. No geral, os utilizadores de ambos os sexos ficam activos onze vezes por dia.

Embora, Sean Rad, CEO do Tinder veja a app como «uma plataforma social de descoberta», esta continua a ser associada a um site de encontros com tendência sexual.

Teorias à parte, perante a abundância de escolhas em matéria de relacionamentos, bloqueámos. Tornámo-nos mais exigentes, indecisos, frustrados, sempre à procura de algo melhor. O sexo é tão acessível como qualquer outro bem de consumo rápido. Curiosamente, estudos indicam que os jovens adultos de hoje praticam menos sexo do que as gerações anteriores.

Acumular "matches" no Tinder, saltar de janela em janela no Facebook, ou trocar fotos e vídeos com bolinha vermelha no WhatsApp são algumas das aplicações que ocupam possivelmente demasiado tempo às pessoas de um modo geral. Desta forma, é fácil cair na ilusão de que tem muitos amigos e é popular, bonito, que ama e se é amado. Neste jogo, onde o "amor é uma espécie de fogo que arde sem se ver", dado que as pessoas nem sempre se conhecem pessoalmente, também se descarta e é descartado com a mesma rapidez do fósforo que acende a chama.

Segundo o Tinder, esta rede social está presente em 196 países, disponível em 30 línguas diferentes, e já conquistou mais de 50 milhões de utilizadores, todos os dias faz acontecer mais de 12 milhões de "matchs! (encontros felizes, em português). 

Se há histórias de amor eterno, não se sabe, pois a app é recente, mas há quem alegue ter encontrado o "amor verdadeiro".


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