Research & Education
Mar 1, 2017
LIVROS ESCOLARES EM TABLETS - MENOS PESO, MENOS CONHECIMENTO?
Um pouco por todo o
mundo, os pais estão preocupados com o peso que as mochilas escolares dos seus
filhos têm de comportar todos os dias. Isto prende-se com o volume e número de
manuais escolares que os alunos carregam, muitas vezes crianças ainda em
formação física, que supera largamente todas a recomendações internacionais de
relação entre peso da criança e peso da mala.
Não vale a pena rodear o assunto, é um problema, é grave, tem a ver com a saúde futura das crianças e atingiu um pouco, todos os países do mundo. Há exemplos bons e maus de solução e, como sempre, há vozes concordantes e dissonantes.
O problema
A Organização Mundial de Saúde recomenda que o peso de uma mochila escolar não deve exceder 10% do peso total da criança que a transporta. A média, um pouco em todo o mundo é que esta relação é excedida em, pelo menos, três vezes.
Se pensarmos bem, cada pai e mãe carrega todos os dias na mochila do seu filho, os livros para cada disciplina do dia, cadernos individuais para cada disciplina, material pedagógico de apoio e suporte para várias disciplinas, um ou mais estojos de canetas, lápis, borrachas, afias, marcadores, réguas; mais uma sacola com um lanche adicional.
Basta fazer uma pequena conta para perceber que isto representa, no mínimo, 10 kg. O que é manifestamente demasiado para uma criança de oito anos, e 36 kg. É consensual que esta relação pode desenvolver problemas ósseos e musculares e, por consequência, crescimento e até desenvolvimento intelectual.
As propostas
As mais recentes tendências mundiais para resolver este assunto apontam para a colocação das matérias leccionadas em cada disciplina, em suportes digitais para consulta e estudo de forma mais confortável e, sobretudo, reduzindo dessa forma a excessiva carga a transportar nas mochilas diariamente.
Alguns países do norte da Europa optaram e têm vindo a aplicar esta solução desde 2013, nomeadamente, a Suécia, a Noruega e a Finlândia e, adicionalmente, também algumas escolas do Reino Unido têm adoptado esta opção como projecto de estudo.
As vantagens são inegáveis: um simples tablet de 300 gramas poderá comportar todos os manuais de todas as disciplinas do currículo escolar e até os cadernos de trabalho podem ser substituídos por aplicações onde o estudante pode exercitar os seus conhecimentos, abdicando do papel e do lápis.
Tatyana Belyavskaya, antiga professora em S. Petersburgo, engenheira de software, web designer, blogger e software developer, recorda várias coisas que devemos saber sobre este tema.
A blogger recorda-nos que: os tablets estão a revolucionar a forma de aprender e ensinar; vão funcionar como catalisadores para um novo tipo de educação; estão cá para ficar; proporcionam uma nova era de ferramentas criativas e interactivas; têm um custo reduzido e acessível; são pequenos e portáteis; são fáceis de manusear por crianças em disciplinas mais difíceis; e estimulam a partilha de dúvidas e soluções, proporcionando melhores índices de aprendizagem.
Polémicas
Como habitualmente, sempre que uma nova tecnologia é aplicada a assuntos tidos como tradicionais, existem os adeptos e os adversários mais furiosos. Quanto aos adeptos e às razões para ser a favor, estamos conversados.
Mas, Olle Johansson, Professor de Neurociência no Instituto de Karolinska, em Estocolmo, Suécia, refere vários aspectos negativos à utilização desta tecnologia nos sistemas de ensino.
Segundo este professor, os resultados mais recentes sobre a aprendizagem das crianças em disciplinas como a Matemática ou Ciências estão em queda livre. Estes novos processos têm permitido aos governos, atribuir mais responsabilidades administrativas e educativas às unidades escolares, desresponsabilizando os governantes e sobrecarregando as pequenas estruturas educativas.
Estas, por sua vez, sentem-se muito aliviadas por terem tamanho apoio, para o qual não têm necessidade de contribuir ao nível dos conteúdos, libertando-as para as novas tarefas burocráticas.
Contudo, estas inovações pedagógicas, apesar do alívio no peso das mochilas, colocam as crianças sob uma maior exposição a radiações produzidas por estes aparelhos (apesar de serem mínimas, as crianças ficam expostas muito mais cedo e por muito mais tempo) e são também um motivo de distracção permanente, uma vez que, ao mesmo tempo que servem como manuais escolares, também são portas de comunicação com o mundo da internet (emails, sms, redes sociais, etc.).
E, finalmente, ainda nos chama a atenção para a síntese dos programas e das obras a incluir nos manuais. Imaginem todas as obras de Shakespeare, analisadas, comentadas e resumidas a seis páginas de um e-book...





