Culture & Art

Abr 1, 2016

Como Foi Vendido o Alasca

A 30 de Março de 1867, era assinado em Washington, Estados Unidos da America (EUA), o acordo de venda do Alasca, pela Rússia aos EUA. Existem vários mitos sobre a venda. Muitos acreditam que foi feita pela Soberana russa, Catarina II, outros defendem que o Alasca foi arrendado durante 99 anos e que Brezhnev, durante o seu governo da ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), recusou-se a receber o território de volta. Vamos contar como aconteceu.

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Quando o Feudalismo foi abolido na Rússia, em 1861, o Czar Alexandre II foi forçado a pagar compensações aos latifundiários. Para cobrir esta despesa, no ano seguinte Alexandre II contraiu um empréstimo, de 15 milhões de libras esterlinas, com o Banco Rothschild. O empréstimo teria uma taxa de juro de cinco por cento ao ano. Com a necessidade de pagar ao banco estrangeiro, o irmão do Czar, o Grão-Duque Konstantin Nikolaevich, propôs ao governante russo que vendesse "algo desnecessário". Depois de muita consideração, o Czar decidiu que o Alasca era desnecessário.

O território foi adicionado ao Império Russo a 21 de Agosto de 1732, quando uma expedição, liderada pelos exploradores Mikhail Gvozdev e Ivan Fyodorov, atravessou o Estreito de Bering em direcção às ilhas Aleutas. O teritório norte-americano tornou-se a última possessão russa fora da Eurásia.

Num dia sombrio e nublado, a 16 de Dezembro de 1866, São Petersburgo foi palco de uma reunião muito especial. Na sala estavam o Czar Alexandre II, o Grão-Duque Konstantin Nikolaevich, os ministros das Finanças do Império, o Ministro da Marinha e o embaixador russo em Washington, EUA, Eduard A. Stoeckl, os quais discutiram a proposta de vender o Alasca aos EUA. O grupo chegou a consenso para prosseguir com a venda, por não menos de cinco milhões de dólares em ouro. Seis dias depois, a 22 de Dezembro de 1886, o Imperador russo aprovava as fronteiras do território, e Stoeckl apresentou a proposta de de venda ao então Secretário de Estado norte-americano, William Seward, em Março do ano seguinte. O acordo de venda foi assinado em Washington, a 30 de Março de 1867. Os 1 723 336 metros quadrados do Alasca seriam vendidos aos EUA por 7,2 milhões de dólares em ouro, o que representa 4,18 dólares por km2.

O valor não foi suficiente para pagar o empréstimo contraído com o Rothschild. Dado que a libra esterlina subiu suficientemente, assim drasticamente subiu o valor antigo do empréstimo. Não eram boas notícias para o Czar Alexandre II ou para as Finanças do Império, mas o negócio foi aprovado e o pagamento efectuado de seguida.

O governo estado-unidense entregou ao embaixador russo, Barão Eduard Stoeckl, um cheque de 7,320 milhões de dólares, que incluía os gastos com a compra do território, 7,2 milhões – 21.000 dólares para o Embaixador e o restante compreendia os pagamentos feitos a senadores americanos para ratificarem o negócio. O dinheiro para pagar o território teve de ser transferido para Londres, onde foi cambiado para libras esterlinas – perdendo-se mais 1,5 milhões de dólares no processo, depois convertidas em ouro. Após esta transacção, o ouro foi enviado por barco para São Petersburgo, mas o pior estava para vir.

Numa Reviravolta, a Rússia Nunca Recebeu o Dinheiro

O ouro foi carregado a bordo do veleiro "Orkney". Durante a viagem para São Petersburgo, o "Orkney" afundou-se em circunstâncias misteriosas, a 16 de Julho de 1868. Alguns dizem que o ouro não estava a bordo e que nunca saiu do Reino Unido. A companhia de seguros do navio declarou falência após o incidente e os prejuízos foram ressarcidos apenas em parte.

Sete anos depois, na manhã de 11 de Dezembro de 1875, um acontecimento em Bremen veio trazer alguma luz sobre o que aconteceu ao "Orkney". Enquanto carregava carga e bagagens com destino a Nova Iorque, o vapor "Mosel" foi abanado por uma violenta explosão, que matou 80 pessoas e feriu outras 120. Por sorte, o manifesto de carga não se perdeu e, às 17 horas do mesmo dia, a polícia já tinha identificado o proprietário da bagagem que explodira. O homem por detrás do rebentamento era o cidadão norte-americano William Thomson.

Quando a polícia tentou prender Thomson, este tentou o suicídio, sem sucesso. O veneno que ingeriu não surtiu o efeito pretendido no momento, e acabou por morrer de septicémia em 17 de Dezembro desse ano. Entre a detenção e a morte acabou por confessar o que fez. De acordo com documentos, Thomson partiu viajou de Bremen para Southampton, e a sua bagagem deveria seguir mais tarde rumo aos EUA. A bagagem devia explodir apenas durante a viajem para que Thomson pudesse reclamar pagamento por propriedade perdida. O ataque ao vapor "Mosel" não foi o único perpetrado pelo americano. Thomson alegou ter afundado mais de uma dezena de navios, incluindo o "Orkney" que transportava o outro para a Rússia.

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