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Mai 1, 2017

JARDINS DO FUTURO

Se gosta de verde, prepare o coração, pois os jardins do futuro são de tirar o fôlego e vão estar por toda a parte. Do cantinho na varanda, à cozinha, sala de estar, área de serviço, quintal e, sobretudo, nas cidades e nos edifícios de escritórios, todos os cantos e recantos vão ser ajardinados – haverá um boom de jardins verticais.

A Primavera chegou, e com ela a vontade de relaxar num cantinho verde repleto de árvores e de plantas. Isso nem sempre é fácil quando se trabalha na cidade, nomeadamente em zonas de escritórios. Esta realidade tem vindo a mudar com a construção de jardins verticais, as cidades e os edifícios do futuro serão muito mais eco-friendly.

Seguindo essa tendência e, a título de exemplo, Bruxelas, capital da Bélgica, planeia a construção de três estruturas verticais feitas de materiais recicláveis, fontes de energia renováveis e cerca de 30.000 plantas. Este projecto acontece na sequência de iniciativas anteriores no porto da cidade belga, num comboio, numa estação marítima, num armazém e, mais recentemente, na antiga paragem de Táxis de Bruxelas.  O plano para este último local prevê a criação de um refúgio verde com estruturas maciças de 300 metros de altura, parcialmente alimentadas por painéis solares. As inúmeras plantas serão integradas em edifícios, permitindo a absorção de 175 toneladas de dióxido de carbono (CO2), todos os anos.

Para além de ficar esteticamente mais atractivo, os jardins verticais pretendem conferir ao local uma mistura de espaços residenciais, comerciais e de negócios, ancorados no que a firma Vincent Callebaut Architecture, responsável pelo plano, chama de "princípios de construção inovadores e sustentáveis". Por enquanto, é uma ideia que está apenas no papel, mas que se receber luz verde, vale a pena conhecer.

Redefinir a paisagem urbana, usando a natureza, é uma ideia que está a ser alvo de inúmeros projectos urbanísticos e de design um pouco por todo o mundo. A concretizar-se, trará seguramente grandes benefícios para o meio-ambiente, embora, haja também quem aponte alguns riscos, como a rápida deterioração das paredes devido às plantas.

Outro exemplo dessa receptividade aconteceu em Nanjing, na China, onde a construção de jardins verticais foi levada muito a sério, numa tentativa de reduzir a poluição na cidade. Também a Itália e a Suíça seguem esta tendência. São famosas as duas torres na cidade italiana de Milão que medem 367m de altura e que, juntas, podem conter até 480 árvores de grande e médio porte, 250 árvores de pequeno porte, 11.000 de solo-cobertura e 5.000 arbustos, o que equivale a 2,5 hectares de floresta vertical. O objectivo é reduzir o ruído urbano, os níveis de CO2, a poeira do ar da cidade e o calor urbano. As torres incluem, ainda, apartamentos onde não é necessário usar climatizadores, sendo o recurso à energia eólica e fotovoltaica responsável pela auto-suficiência energética do edifício.

Se sonha viver num condomínio residencial, no centro da cidade, com jardins verticais formados por vasos de árvores sustentadas por ramificações e feitos em vigas de aço, pode mudar-se para Turim, também em Itália, onde o arquitecto Luciano Pia, projectou apartamentos suspensos no chão com jardins na fachada. O edifício, assente numa estrutura ondulante, tem 63 apartamentos com terraço e vegetação. As plantas escolhidas são da região, facilitando a diversidade de cor, folha e floração. Um design inovador que junta o rústico com vigas de aço, paredes de tijolos queimados, placas de madeira e plantas. As árvores, na fachada, criam o microclima ideal no interior do edifício, especialmente eficaz em meses frios e/ou quentes.

A arrancar este ano, em Lausanne, Suíça, "A Torre dos Cedros", será um dos primeiros edifícios mundiais coberto por árvores, terá 36 andares e medirá 117 metros de altura. Uma casa para mais de 100 cedros, 6 mil arbustos e 18 mil plantas distribuídos por 3.000 metros quadrados. Foi projectada por Stefano Boeri, o mesmo que criou o "Bosco Verticale" em Milão, Itália. Os edifícios serão equipados com sistemas de reciclagem de água e irrigação, bem como com painéis solares. Haverá ainda ginásio, escritórios e um restaurante panorâmico. É a arquitectura ao serviço da Natureza, uma espécie de sonho de criança com benefícios reais.

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