Science & Nature

Nov 1, 2016

CIDADES FLUTUANTES: UM MUNDO NOVO

O Instituto de Seasteading (The Seasteading Institute – TSI, em inglês), criado em 2008 pelo engenheiro de software da Google, Patri Friedman (neto do economista Milton Friedman), e Wayne Gramlich, presidente da Homebrew Robotics Club de Silicon Valley, com o apoio de Peter Thiel, bilionário capitalista de risco e co-fundador da PayPal, estão a desenvolver uma cidade flutuante que poderá ser um povoado permanente e politicamente autónomo.

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Seasteading é um conceito de habitações permanentes no mar, chamadas seasteads, fora dos territórios reivindicados pelos governos, e que podem ser paquetes modificados, plataformas antiaéreas desativadas ou ilhas flutuantes personalizadas. O objectivo é facilitar o estabelecimento de comunidades móveis autónomas, maximizando a liberdade de empreendedorismo, e criando assim as primeiras nações que, para além de não atacarem outras comunidades, recebem todos os povos num espaço que pode designar-se como o "Próximo Novo Mundo" – uma espécie de primeiro estado autónomo no qual se pode testar a construção de novos tipos de sociedade.

O desenvolvimento deste projecto é ainda sensível do ponto de vista governamental, na medida em que mexe com a eventual perda do monopólio dos tradicionais governos dos países, cujos sistemas são, por vezes, referidos como obsoletos, e não têm capacidade para responder aos desafios, criatividade e inovação do século XXI.

A filosofia do grupo pode ser descrita em poucas frases: "Enriquecer os pobres. Curar os doentes. Alimentar os Famintos. Limpar a Atmosfera. Restaurar os oceanos. Viver em equilíbrio com a Natureza. Usar energia sustentável. Acabar com as guerras". Para Randolph Hencken, director executivo do TSI, «Todas as terras têm dono, o oceano é o nosso último lugar na Terra».

A equipa composta por biólogos marinhos, engenheiros náuticos, agricultores aquáticos, advogados marítimos, investidores, ambientalistas e representantes de outras profissões, planeia construir seasteads para albergar quintas de aquacultura, centros de saúde flutuantes, ilhas de investigação médica e centrais eléctricas sustentáveis. As principais áreas de investigação são: engenharia, negócio, jurídica & política.

São já mais de mil, as pessoas que enviaram donativos para o Instituto, e centenas voluntariaram-se para a fazer parte da experiência. Para além do apoio financeiro de Thiel, que investiu perto de 1,7 milhões de dólares no projecto, o Instituto espera angariar dinheiro de alguns investidores, futuros residentes e grupos interessados na indústria marítima. O custo inicial da construção é de aproximadamente 30 milhões de dólares, e cada plataforma adicional custará cerca de 15 milhões de dólares. Em 2013, a organização angariou mais de 27 000 dólares através de uma campanha de crowdfunding, apoiada por 291 pessoas, e este dinheiro reverteu imediatamente para o "Projecto da Cidade Flutuante", da empresa de design norueguesa DeltaSync.

No entanto, o projecto foi considerado utópico, e fortemente criticado em Silicon Valley, onde estas ambições foram consideradas demasiado loucas, elitistas e extravagantes a nível financeiro para gerarem resultados reais, fora a complexidade das questões legais e de impostos. No meio empresarial de Silicon Valley, seria muito mais fácil comprar uma porção de terra ou mesmo uma ilha do que concretizar o projecto.

A equipa tem, contudo, uma nova inspiração – trata-se de uma cadeia de 130 ilhas, situado na Polinésia Francesa, com ligação aérea a Los Angeles, em apenas oito horas.

Segundo as pesquisas efectuadas pelos especialistas envolvidos no projecto, a Polinésia tem um cabo de fibra óptica subaquático com capacidade para albergar uma nova comunidade de residentes e trabalhadores.

Para além disso, a subida do nível das águas ameaça a própria existência da Polinésia, o que torna a proposta muito apelativa para o governo local. Nesse sentido, estes visionários planeiam associar-se a uma "nação hospedeira", estimando que seriam precisos 225 milhões de dólares para a construção das ilhas, e oito milhões anuais para as manter em funcionamento. Se tudo correr como planeado, este projecto avança já em 2017, e tem data prevista de conclusão em 2020.

A planta desta nova cidade consiste em duas ou três plataformas, com uma área aproximada à de meio campo de futebol, e com capacidade para 30 pessoas. Se o programa piloto for bem-sucedido, serão acopladas mais plataformas. A ideia é de que as ilhas providenciem também espaço e recursos para construção, enquanto se desenvolve um memorando de compreensão para cimentar a intenção do governo de trabalhar com o Instituto de Seasteading, e dar início a legislação que autorize o desenvolvimento do seastead.

Contacts – Contactos:

http://www.seasteading.org/

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