Business & Industry

Nov 1, 2017

CORRIGIR ''ERROS'' DO PASSADO

O governo cubano está a tomar várias medidas para tornar a economia cubana mais autónoma, estando a "corrigir erros" para atrair mais capital estrangeiro, principalmente no sector do turismo.

Por ALFREDO MIRANDA

O ministro de Comércio Exterior da República de Cuba, Rodrigo Malmierca, afirmou recentemente que a ilha precisa de "altas taxas de investimento" e que, para isso, está disposta a melhorar "o ambiente para os investidores".

"Se não temos altas taxas de investimentos, de criação de capital, a poupança nacional não nos permite enfrentar todos os desafios que nos apresenta a necessidade de desenvolver a economia", defende o responsável cubano.

Imerso numa lenta abertura de uma década, o país socialista enfrenta a desaceleração de sua actividade pela crise da Venezuela, seu principal aliado, pela queda nos preços do níquel e pelos problemas derivados do embargo americano vigente desde 1962.

Para atender as expectativas de desenvolvimento, Cuba precisa de mais 2 mil milhões de dólares em investimento estrangeiro, que equivaleriam a 20% do PIB. No entanto, essa taxa actualmente chega a apenas 12% do PIB (1,2 mil milhões de dólares), salienta o ministro Rodrigo Malmierca, que diz querer consertar os "erros" cometidos no passado.

"Um dos problemas que temos – e que reconhecemos – é a lentidão das negociações. As empresas estrangeiras queixam-se, por vezes, e com razão. Além disso, queremos também melhorar o ambiente para os investidores", declarou o ministro cubano.

Desde 2014, quando entrou em vigor a lei de investimento estrangeiro, Cuba publica, anualmente, uma lista actualizada de potenciais áreas de investimentos com o objectivo de atrair capitais estrangeiros, proscritos durante três décadas após o triunfo da Revolução em 1959.

Turismo e carros clássicos

Uma das áreas mais cobiçada pelos investidores estrangeiros é, sem dúvida, o turismo. Primeiro por ser uma ilha situada no mar das Caraíbas, portanto com praias paradisíacas; segundo, pela sensação de estar em um país que parou no tempo.

Cuba é um país de contrastes:  ao mesmo tempo que se vê muita cultura, muita história, muita beleza e um povo muito amistoso e caloroso; também se lida com as dificuldades de um país que não acompanhou as evoluções do mundo moderno. Quem faz turismo fica apaixonado pelo lugar, pela sua gente e sai de lá sempre a recomendar uma visita ao país (e com vontade de voltar).

Os destinos mais procurados são a capital cubana, Havana, e também o balneário de Varadero, com resorts em praias paradisíacas de águas cristalinas e areias finíssimas. No oriente da ilha, a zona que mais investimento estrangeiro atrai é Santiago de Cuba, uma cidade conhecida pelos seus famosos festivais musicais e vida nocturna muito agitada.

A expressão "a cidade é um museu a céu aberto", deveria ser exclusiva da cidade de Havana. É impressionante a sensação de se estar de volta aos anos 50, com os carros antigos e os prédios exactamente como eram nos tempos da Revolução.

Um dos principais cartazes turísticos cubanos continua a ser os carros antigos ou clássicos. Até à Revolução de 1960, Cuba foi o maior importador de automóveis americanos, principalmente, os grandes, que consomem muito. Hoje, são relíquias de um passado romântico. Esses carros, junto com os que chegaram da antiga União Soviética depois do embargo, continuam nas ruas. Enquanto Cuba não entrar no curso normal do progresso e transformação do mundo, eles vão continuar rodando, como um grande museu a céu aberto.

São provavelmente os artigos mais valiosos no país.  Os custos para os manter são elevados e, por isso, muitas vezes, os coleccionadores encontram verdadeiras "pérolas" destruídas pela falta de conservação.

Os veículos são a imagem do país. Eles estão bem contextualizados, ou seja, não são peças velhas num país em progresso.  São carros antigos num mundo que parou no tempo. 

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