Research & Education
Set 21, 2018
LUTA CONTRA O CANCRO
Cientistas portugueses na Vanguarda
São portugueses, estudam o cancro e tentam encontrar a cura para este 'bicho'. Trazem novas teorias e formas de olhar a ciência, contribuindo de forma significativa para o mundo.
A OMS, Organização Mundial para a Saúde, alerta que 14 milhões de novos casos de cancro são descobertos todos os anos. Ainda existe uma alta taxa de mortalidade associada a este problema e muitas são as pesquisas efectuadas a favor da cura contra o cancro. Investigadores de todo o mundo buscam o tratamento para os diversos tipos de câncer e, a cada trabalho realizado, um passo é dado para chegar mais próximo do tratamento para cada caso e cada pessoa, contudo, ainda não se conseguiu encontrar a fórmula mágica que mate este 'bicho'.
Em Portugal, são realizados diversos estudos na área oncológica e experimentados vários tratamentos em prol do bem-estar do doente. Muitas pesquisas importantes têm vindo a ser realizadas neste pequeno país, trazendo nova esperança e formas de olhar a doença em todo o mundo.
Recentemente, um estudo realizado pela equipa de Bruno Silva Santos, do Instituto de Medicina Molecular (iMM) da Universidade de Lisboa, colocam estes cientistas na vanguarda do tratamento contra o cancro: a imunoterapia. Este é um tratamento que está "a entusiasmar a comunidade internacional" pela sua fórmula onde "as células passam a ter uma pistola que mata o cancro". O objectivo é retirar as células não cancerígenas do doente e reinjectá-las no organismo, ou seja, curando-se com o próprio sistema imunitário, criando tratamentos e terapias completamente novas para manipular as células e destruir aquelas que estão infectadas.
Outra descoberta foi feita pela equipa liderada por Sérgio Daniel, também do iMM, que revela que o colesterol sistémico, coloquialmente chamado de "mau", trava o tratamento do cancro da mama, reduzindo a capacidade do sistema imunitário de combater contra as células cancerígenas. A equipa associou esta pesquisa à imunoterapia de Bruno Silva Santos, focando-se nos linfócitos T gama-delta, um tipo de glóbulos brancos que, de acordo com o investigador, "deixam de funcionar normalmente e (diminuindo a) sua capacidade de ativação e de reconhecimento". Este estudo foi aplicado ao cancro da mama, no entanto, poderá ser bastante relevante no estudo de outros tipos de cancro.
Ainda em Portugal, estuda-se a capacidade de identificar o tipo de tratamento oncológico mais eficaz para cada doente com base numa análise de urina. Os investigadores Bruno Costa silva, Joana Ribeiro e Rita Fior, estudam uma forma personalizada e rápida – num período de duas semanas – de encontrar um tratamento eficaz para acelerar os processos de cura do cancro. O mesmo grupo estuda também a forma como os tumores comunicam entre si através de exossomas, pequenas vesículas produzidas pelas células.
Por todo o país são desenvolvidas pesquisas no sentido de desenvolver os tratamentos para os diversos cancros, bem como para entender o modo como estes se dissipam pelo corpo humano, quais os factores impulsionadores do cancro entre outras questões associadas a linfomas, cancro de pele, cancro da próstata, cancro dos pulmões, cancro da tiróide e até sobre a sua hereditariedade. No final de 2017, dados divulgados pela Global Portuguese Scientist, GPS, uma plataforma digital que junta cientistas na diáspora, incentivada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, revelaram que os cientistas portugueses estavam espalhados por 84 países do mundo, dos quais 20% se encontram no Reino Unido e 15% nos EUA. A maior parte destes cientistas, 59,4%, pertence à área das ciências naturais, seguindo-se as ciências médicas e a tecnologia.
De um país pequeno para o mundo, os cientistas portugueses têm vindo a deter um papel importantíssimo nos novos tratamentos para o cancro, deixando uma marca significativa a nível mundial.





