Culture & Art

Dez 1, 2016

EFLORESCÊNCIA APÓS OS SESSENTA ANOS

Há mais de 20 anos que Vladimir Kanevsky vive em Nova Iorque, fazendo do fabrico de flores de porcelana a sua vida, peças de arte reais, sem paralelo com trabalhos de qualquer outra pessoa. As flores de Kanevsky decoram as casas das pessoas mais ricas do mundo, incluindo as de membros das famílias reais europeias, e são muito procuradas entre coleccionadores. Uma flor de Kanevsky vale, em média, entre USD 3000 e 20 000 dólares.

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As flores de Kanevsky surpreendem até os mais sofisticados peritos. Elas são tão "vivas" que até serem tocadas, é imporssível acreditar que são de porcelana. Pintadas à mão, com botões de flores, folhas tonificadas ... até mesmo a terra de cerâmica dos potes parece real.

Aos 63 anos, o escultor Vladimir Kanevsky é muito requisitado, sendo mais popular que alguma vez fora na vida. A vocação profissional e o sucesso foram alcançados devido a um a trabalho que sempre odiou, pois só depois dos cinquenta anos, se apaixonou por esta arte.

Antes de se mudar para os Estados Unidos da América (EUA), o também arquitecto ucraniano, Vladimir Kanevsky, fazia projectos de prédios públicos em Leningrado (actual São Petersburgo, Rússia), e bairros residenciais inteiros na sua terra natal, Cracóvia, Ucrânia. Quando completou 40 anos, mudou-se para Nova Iorque, EUA, e enfrentou imediatamente todos os desafios da vida de imigrante.

Num país estranho, sem ligações, experiência e quase sem dinheiro, assumiu o trabalho com o qual se podia sustentar. Vladimir, o ex-arquiteto de sucesso, começou a fazer flores de porcelana. Não se pode dizer que estava muito inspirado a fazer lírios artificiais do vale, - esta parecia ser apenas a maneira mais fiável de ganhar dinheiro. «Eu precisava realmente de dinheiro», diz.  «As flores de porcelana eram mais fáceis de vender do que, digamos, uma escultura. É por isso que as moldava. E as odiava», explica.

As odiadas flores de porcelana tinham, contudo, uma aparência muito natural, o que despertava a admiração do público. Numa loja de Nova Iorque, onde o proprietário exibia as obras de Vladimir, designers famosos e coleccionadores ricos começaram a comprá-las. Muitos dos clientes eram da Europa, e em pouco tempo, os lírios de porcelana do vale e as peónias integravam colecções de alguns membros da realeza, e assim, os bouquets de cerâmica tornaram-se moda não só nos Estados Unidos, mas também na Europa.

Poucos anos depois, Vladimir Kanevsky aceitou um pedido para fazer alguns trabalhos personalizados para a casa de moda parisiense Dior. Tinha quase cinquenta anos e a sua carreira começava a ganhar força. «As primeiras flores que enviei para a Dior partiram-se no caminho», recorda. «Até hoje, o transporte de artigos para a Europa é um grande problema», afirma.

As flores de porcelana de Kanevsky ganharam tal popularidade, principalmente por parecerem verdadeiras. Os lírios macios do vale, as peónias de veludo, os narcisos finos e o lilás absolutamente real, emanam aparentemente uma fragância esmagadora, - tudo isto resulta de um acabamento fino fantástico e de uma maestria invulgar. As peças são feitas à mão, cada uma é única. As flores de porcelana são amarradas em hastes de cobre com folhas, cobertas com esmalte e pintadas. Os bouquets são "plantados" em vasos de flores antigas.

Durante muito tempo, Vladimir manteve o desinteresse pelas flores, considerando a escultura como a sua verdadeira vocação. Todo o tempo livre que tinha dedicava à "arte real" – as composições escultóricas. No entanto, as flores de porcelana vendiam-se com enorme sucesso. As suas esculturas eram menos populares. Além disso, não dedicava muito tempo à escultura porque tinha que fazer flores.

E só agora, com mais de sessenta anos, Vladimir Kanevsky encontrou, finalmente, o equilíbrio ideal entre as suas ambições e as exigências do mercado. Ele compreendeu que as flores de porcelana são uma arte em si, que tem realmente procura. E por essa razão começou a amá-las sinceramente. Agora assegura, brincando, que se lembrou recentemente de que a botânica costumava ser a sua disciplina favorita na escola.

Actualmente, Vladimir cria então com prazer, fazendo exposições pelo mundo, concedendo entrevistas, e assegura que o momento mais interessante de sua vida chegou. As suas obras são mais requisitadas do que nunca. Em 2012, a famosa casa de porcelana alemã, Meissen, com 300 anos de história, propôs a Vladimir a realização de uma colecção conjunta.

«Para alguns o florescimento profissional acontece na juventude, para outros na meia-idade, o meu acaba de chegar», afirma Vladimir Kanevsky. «O tempo que vivemos é muito interessante, existem tecnologias fantásticas que podem ser usadas no nosso trabalho. É incrivelmente impressionante», conclui. Se ainda não descobriu a sua vocação, não desanime, é perfeitamente possível descobrir novos talentos e capacidades após os cinquenta anos de idade.


Fotos:
http://theageofhappiness.com/posts/vladimir-kanevskiy-kotoryy-rascvel-svozrastom/5f1bgf9d123

http://izbrannoe.com/news/iskusstvo/farforovye-tsvety-vladimira-kanevskogo/

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