Science & Nature

Nov 1, 2017

ELIMINAR DE VEZ AS ILHAS DE PLÁSTICO

Em 2014, com apenas 19 anos, o holandês Boyan Slat encontrou uma possível solução para limpar metade do oceano Pacífico em 10 anos. O plano de Slat consiste numa barreira flutuante que aproveita as correntes oceânicas fazendo uma espécie de trincheira que bloqueia o lixo encontrado nas águas.

Por NARUTO SHIZUKA

Boyan Slat, actualmente com 22 anos, é um estudante holandês de engenharia que combinou ambientalismo, criatividade e tecnologia para resolver questões globais de sustentabilidade. Trabalhou no desenvolvimento de um dispositivo chamado Ocean Cleanup Array, capaz de limpar os fluxos de plástico nos oceanos, que já acumula mais de 7 milhões de toneladas do material.

Um dos principais obstáculos é que não há fotos dos lugares mais poluídos, dificultando a escolha de onde operar, uma vez que os elementos plásticos estão espalhados por milhões de quilómetros quadrados. A máquina funciona como um filtro, recolhendo todo o material flutuante, que é depois armazenado em recipientes até ser recolhido para reciclagem em terra.

Apesar de ser ainda um protótipo, o jovem já criou a The Ocean Cleanup Foundation, uma organização sem fins lucrativos que é responsável pelo desenvolvimento das tecnologias propostas. Esta invenção pode ajudar a salvar centenas de milhares de animais aquáticos e diminuir os poluentes que se integram na cadeia alimentar.

Existem mais de 5 triliões de peças de plástico nos oceanos de todo o planeta, que se estima pesar mais de 250 milhões de toneladas. Mas existem algumas zonas em que o problema é especialmente mais preocupante. É o caso da "Great Pacific Garbage Patch", localizada a norte do Oceano Pacífico, entre a costa oeste dos EUA e o Japão. A área, descoberta em 1997, faz jus ao título de "depósito de lixo gigantesco", concentrando boa parte do plástico que é lançado para os oceanos.

Ilhas de lixo

Nesta zona, os detritos chegam a formar ilhas de lixo, onde se pode andar a pé. Isso é possível porque as correntes marítimas convergentes que actuam na região se movimentam em círculos, causando enormes "redemoinhos" (chamados vórtexes). Assim, o lixo lançado em várias partes do planeta acaba nessas ilhas, provocando prejuízos gigantescos na vida dos oceanos, impedindo a fotossíntese de organismos marinhos e matando a fauna que ingere o plástico.

Segundo Boyan Slat a sua invenção permite retirar metade do plástico da Great Pacific Garbage Patch em apenas cinco anos.

Como? Cercando o lixo em alto mar com barreiras gigantescas, feitas de polietileno de alta densidade. Resistentes e maleáveis, as estruturas são perfeitas para o trabalho: firmes o suficiente para não deixar escapar nenhum pedaço de plástico, e móveis o bastante para serem levadas de um lado para o outro pelas próprias águas do Pacífico. Depois de concentrados num só local, os detritos são recolhidos com a ajuda de barcos, uma vez por mês.

Para acumular uma maior quantidade de lixo, o inventor pretende colocar telas de TPU (material usado para fazer capas de telemóveis) por baixo das barreiras. Essas telas ficam a uma profundidade que não interrompe a dinâmica das correntes marinhas, podendo, assim, ser facilmente contornadas pelos peixes.

As barreiras não precisam ficar presas no fundo dos oceanos. Pelo contrário, as âncoras que as mantém flutuando ficam soltas, boiando em águas mais profundas – a cerca de 600 metros da superfície. Conforme afundam, a pressão e densidade aumentam, o que faz com que a velocidade de navegação das âncoras seja menor do que na superfície.

Isso impede que a bóia gigante se movimente mais rápido que o lixo. Acompanhando o ritmo da âncora, o sistema acaba indo até quatro vezes mais devagar do que iria se estivesse fixo, recolhendo assim o plástico de forma mais eficiente. Para impedir que o lixo seja levado em dias de ondas mais fortes, as âncoras têm de ser robustas.

Cordão gigantesco

A ideia inicial de Slat era criar um único cordão gigante, com 96,5 km de extensão. Depois, o projecto foi alterado para 50 estruturas de pouco menos de 1 km cada uma. Tudo para correr menos riscos. Se uma delas falhar, por exemplo, há outras 49 firmes e fortes no trabalho de parar o lixo oceânico.

O primeiro protótipo de 1 km de extensão está a ser testado e estima-se que todo o projecto esteja pronto já em 2018. Os custos estão estimados em 320 milhões de dólares.

O conceito de Slat – segundo explica o inventor – usa as correntes oceânicas naturais e ventos para transportar naturalmente o plástico para uma plataforma de colecta. Em vez de usar redes e embarcações para remover o plástico da água, barreiras flutuantes sólidas são usadas para fazer o entrelaçamento. A iniciativa tem apoio de mais de 100 pesquisadores e ambientalistas, que pretendem remover 65 metros cúbicos de lixo por dia.

Com um site que mostra todo o procedimento, Slat faz uma "vaquinha virtual" para colocar seu plano em acção. O valor de 2 milhões de dólares é elevado, mas em apenas duas semanas, o jovem conseguiu 34 por cento do montante com doações que variam de cerca de cinco dólares até dez mil dólares.

A bactéria que "come" plástico

De acordo com estudos recentes, é provável que em 2050 haja mais plástico do que peixes nos oceanos. Felizmente, existem pessoas preocupadas com a poluição dos oceanos, e desse modo, uma bactéria foi desenvolvida pelas estudantes Miranda Wang e Jeanny Yao.

As pesquisas iniciaram-se ainda no colégio, e hoje elas já possuem duas patentes, uma empresa e cerca de 400 mil dólares de investimento.

Com cinco prémios, a dupla ficou famosa por ser a mais jovem a ganhar o prémio Perlman de Ciência. Tudo devido ao protótipo de bactéria capaz de transformar plástico em CO² e água. A tecnologia tem sido utilizada de duas formas: a primeira, para limpar praias; e a segunda, para produzir matéria-prima para a confecção de tecidos.

Num primeiro passo o plástico é dissolvido e depois as enzimas de catalização quebram os componentes do plástico em pedaços mais maleáveis. Esses componentes, por sua vez, são colocados em uma estação biodigestora, em que tudo será compostado. O processo leva apenas 24 horas para acontecer.

Contactos * www.theoceancleanup.com * De Torenhove * Martinus Nijhofflaan 2 - 18th floor – 2624 ES Delft * Países Baixos

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