Food & Beverage

Out 1, 2015

Lacticínios da Irlanda

Na Irlanda há a tradição no sector dos lacticínios. Entre 1770 e 1925, o mercado de exportação manteiga de Cork, no seu apogeu, era o maior do mundo. O movimento de cooperativas nasceu pela mão de Sir Horace Plunkett, e começou com a criação de vilas de leitarias, que convertiam leite em manteiga nos anos 1890.

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Em 1889, as primeiras cooperativas estabeleceram-se em Doneraile, sob o nome Co. Cork, e a primeira cooperativa de lacticínios abriu em Dromcollogher, chamava-se Co. Limerick.
Adoptando o modelo operacional dinamarquês, em 1894 Sir Horace Plunkett e os seus companheiros fundaram a Sociedade da Organização da Agricultura Irlandesa, Irish Agricultural Organization Society Ltd, mais tarde denomidado Irish Co-operative Organization Society Limited (ICOS).

A indústria de lacticínios irlandesa opera dentro do sistema de quotas da União Europeia desde 1983. As quantidades eram fixas, mas a UE atribuiu um preço mínimo para o leite através de um complexo sistema de compra interventiva, reembolsos à exportação, ajuda no armazenamento e subsídios para uso industrial. Os preços do leite de quinta mantiveram-se relativamente estáveis, mas isto não impediu uma redução drástica no número de fornecedores de leite, com uma queda de cerca de 65.000 em 1983, para cerca de 18.000 hoje em dia.
Estes mais do que 18.000 produtores de leite na Irlanda produzem cerca de 5,5 mil milhões de litros, enquanto a produção mundial de leite ronda os 720 mil milhões de litros. Destes, cerca de 600 mil milhões vêm de vacas, 93 mil milhões vêm de búfalos e o restante vem de ovelha, cabra e camelo, entre outros. A Irlanda produz leite e lacticínios suficientes para alimentar 53 milhões de pessoas, e os produtores de lacticínios individualmente produzem em média 300.000 litros de leite, de rebanhos de cerca de 50 vacas. Há aproximadamente 1,1 milhões de vacas na Irlanda, e o sistema de produção baseada no pasto torna o sector do leite Irlandês um dos mais eficientes no mundo, ajudando a manter a sustentabilidade ambiental, social e económica, enquanto assegura um bom nível de bem-estar animal. O leite é produzido quase exclusivamente da relva, com vacas a pastar no exterior perto de 227 dias por ano.

85% da produção de leite irlandesa é exportada pelo mundo inteiro sob a forma de vários produtos lácteos, como queijos, manteigas e em pó. As exportações de lacticínios e derivados chegaram a 29%

das exportações agroalimentares. A Irlanda produz mais queijos artesanais per capita do que qualquer outro país, e o Conselho Nacional dos Lacticínios (National Dairy Council - NDC) tem um papel vital no apoio do sector ao guiar o consumo e posicionamento do leite e lacticínios na República da Irlanda.

O país está no terceiro lugar do mais alto consumo per capita de leite líquido no mundo, com 130 litros por pessoa por ano. Apenas a Finlândia e a Suécia, respectivamente com 183 litros e 143 litros per capita, têm um consumo superior. Comparando, o mercado com maior crescimento no consumo de leite, a China, consome apenas 9 litros per capita.

O mercado mundial de lacticínios aumenta 15 mil milhões de litros por ano, quase
3 vezes a produção total anual da Irlanda, que produz leite suficiente para alimentar
52 milhões de pessoas. Os agricultores e as suas cooperativas estão a preparar-se para um aumento na oferta de leite da ordem dos 50% até 2020 e estão a tomar providências para produzir, processar e comercializar o leite de forma rentável.

Tendo em conta que a população europeia e o seu consumo de lacticínios é bastante estável, prevê-se que esta produção adicional será direccionada para os outros mercados mundiais, particularmente a África e o Sudeste Asiático. O desafio nestes mercados é grande: os concorrentes internacionais, sobretudo os do Hemisfério Sul, beneficiam da produção de baixo custo de leite, em grandes fazendas, processados em massa. No entanto, o sistema de produção eficiente à base de pasto, jovens agricultores ambiciosos e o facto de que a Irlanda tem uma curva sazonal que é muito semelhante à dos principais concorrentes deverá permitir ao país o comércio rentável nestes mercados emergentes.

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