Technology
Abr 1, 2017
A CURIOSIDADE CRIOU O ROBOT
Até à data só exploramos cinco por cento dos oceanos da Terra. Tal significa, só para termos uma ideia, que actualmente sabemos muito mais acerca da geografia da Lua do que acerca dos oceanos do nosso próprio planeta.
O que se encontra no fundo dos mares inexplorados tem sido objecto de referência especulativa em filmes e séries de ficção científica, terror ou um misto de ambos, mas tal está prestes a mudar.
A Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), universidade privada fundada em 1930, em Massachusetts, Estados Unidos, está a desenvolver um novo tipo de robot subaquático que, ao contrário dos actuais, não necessita de ser controlado remotamente por um humano. Tratam-se de robots "curiosos" autónomos, capazes de se adaptar ao meio que exploram.
Estes robots possuem câmaras que transmitem em directo, sonar e sensores de profundidade, salinidade e temperatura, que os orientam no fundo do oceano. A sua programação inclui um factor de curiosidade que lhes permite alertar para qualquer invulgaridade que detectem e que não faça parte da sua missão exploratória.
Os robots começaram a ser testados no terreno em 2015, embora a tecnologia para a criação de robots autónomos tenha sido inventada em 2002. Estas máquinas extremamente avançadas são programadas para recolher o maior número de dados possível e para detectar as características do ambiente que os rodeia, como o tipo de peixes, crustáceos, corais e sedimentos com que se cruzam, bem como quaisquer anomalias, tendo os programadores incluído um algoritmo que na prática os torna "curiosos", daí a sua alcunha.
Antes desta inovação os robots subaquáticos tinham que ser manuseados remotamente por um humano ou cingiam-se meramente a uma tarefa pré-definida, algo que os cientistas, engenheiros e estudantes da WHOI conseguiram ultrapassar graças ao seu esforço contínuo para desenvolver novas teorias, testá-las e construir novos instrumentos marítimos que nos permitam recolher dados dos vastos e desconhecidos oceanos.
A WHOI trabalha em todos os oceanos do mundo estudando a actividade geológica nas profundezas da Terra, a flora e a fauna marítimas, a erosão costeira, a poluição do mar e os efeitos das alterações climáticas, trabalhando em parceria com instituições como a Fundação Nacional Para a Ciência.
Até à data a WHOI produziu oito robots diferentes, sendo que apenas um deles, o Halvin, é um submersível tripulado que lhes foi cedido pela Marinha dos Estados Unidos em 1964. As restantes séries foram baptizadas de Remus (robot autónomo em forma de torpedo), Sentry (capaz de transportar sensores mais delicados), Jason (ainda de controlo remoto, utilizado também para explorar navios afundados), Nereus (que tanto pode operar autonomamente como acoplado a outro veículo), SeaBED (mais apropriado para recolher imagens detalhadas tanto ópticas como em sonar), Gliders (também em forma de torpedo, mas menos potentes que os Remus) e os Argo (3.000 unidades de tamanho reduzido que recolhem dados acerca da salinidade e temperatura da água).
A criação deste tipo de robots captou a atenção do Fórum Económico Mundial, que a apodou de "revolução industrial", dada a necessidade contínua de matérias-primas e formas de alimentação renovável. Recordando que 71 porcento da superfície da Terra se encontra coberta por água, quantos filões não estarão ainda por desvendar?
À medida que os cientistas aprofundam cada vez mais os conhecimentos de robótica, inteligência artificial e de monitorização por satélites, essa tecnologia tornar-se-á cada vez mais acessível e uma realidade em todos os países industrializados.
O corpo humano ainda não dispõe de equipamentos que o protejam a altas profundidades. A criação e aperfeiçoamento destes robots autónomos que conseguem detectar anomalias dignas de investigação sem a necessidade de uma programação prévia ou de um controlo remoto humano, são enorme avanço na descoberta da maior parte do nosso planeta.





