Luxury & Fashion

Jan 1, 2018

EMBALADO PELOS SETE MARES

Destinados a grupos selectos – da classe dos "estupidamente ricos" – com paragens em praias privativas e quase com um tripulante por passageiro, são algumas das vantagens oferecidas pelos navios de cruzeiros voltados para público VIP.

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Por NARUTO SHIZUKA

Nos chamados "navios 6 estrelas" o passageiro tem à disposição restaurantes com menu assinado por chefes "afamados", excursões em terra, serviço de mordomo e refeições privadas servidas na intimidade da cabine, entre outros "mimos".

Outra vantagem destes cruzeiros é que atracam em portos bem localizados. Como são menores que os navios tradicionais, conseguem chegar a portos menores, com fácil acesso aos pontos turísticos das cidades. Em St. Petersburgo, por exemplo, os navios grandes atracam a meia hora de carro dos locais mais atractivos, ao contrário destes cruzeiros de luxo que, por sua vez, ficam a cinco minutos a pé do mesmo local. Devido ao seu porte menor, os navios de luxo fazem escala em ilhas pequenas e paradisíacas, como St. Barths, no Caribe, onde as grandes embarcações não chegam.

Ao contrário da maioria dos barcos de cruzeiros de super-luxo, o 'The World', conhecido como "A Residência do Mar" e com 196 metros de comprimento, é um dos maiores e mais completos paquetes de luxo do mundo e o primeiro "cruzeiro residencial" de todos os tempos. Além de 110 apartamentos de tipologia T2 e T3, cujo preço de aquisição varia entre um e nove milhões de euros, o paquete dispõe ainda de 58 suites destinadas a aluguer temporário. O condomínio de um destes apartamentos pode situar-se entre 300 mil e 450 mil euros por ano.

Além dos quartos decorados a gosto dos clientes, este paquete com 12 decks oferece ainda todos os mimos que o dinheiro nos pode oferecer – seis restaurantes, piscina, campo de ténis, SPA, ginásio, cinema, biblioteca, capela, centro médico e até uma mercearia cheia de iguarias, entre outras comodidades, além de várias experiências únicas que decorrem nos diferentes portos onde atraca.

O passageiro tipo do 'The World' tem uma média de idade de 52 anos, é originário da América do Norte e Europa, revela uma grande paixão por viagens, valoriza o luxo, o sucesso nos negócios e o dinheiro. Actualmente, o 'The World' conta com moradores originários de cerca de 40 países que vivem a bordo do navio a tempo inteiro ou temporariamente. O navio "vive" a circundar o globo terrestre, permanecendo na maioria dos portos de dois a cinco dias.

Já o 'Seven Seas Explorer', considerado pelo 'Cruise Critic' (um dos mais respeitados sites de cruzeiros) como o transatlântico mais luxuoso do planeta tem o interior digno de um hotel de luxo, acessível apenas a quem tem uma carteira bem recheada. A bordo, os hóspedes podem ter aulas de alta cozinha num espaço com vista para o mar. Nos cursos, os participantes aprendem a fazer pratos requintados das culinárias francesa, italiana, mexicana, espanhola, grega e países nórdicos.

Apesar de existirem dezenas de companhias de cruzeiros de grande dimensão e com itinerários por todo o mundo, a cadeia de hotéis 'The Ritz-Carlton' criou uma nova linha de cruzeiros com destino a "um por cento dos viajantes do mundo". A nova frota vai contar com três navios luxuosos que vão estar prontos em 2019. Os preços para embarcar nestes navios ainda não são conhecidos, mas a empresa promete quebrar com todos os estereótipos de um cruzeiro convencional.

Esta cadeia de hotéis de luxo, parte da 'Marriott International', vai expandir o seu negócio da terra para o mar e será a primeira a primeira a incluir na sua oferta topo de gama a opção de iates e navios de cruzeiro. A promessa é cortar com a actual oferta massificada do mercado de cruzeiros e, a partir do último trimestre de 2019, replicar a bordo a mesma qualidade em serviços e instalações já consagrada nos hotéis espalhados por mais de 30 países.

As reservas para as viagens inaugurais só serão possíveis a partir de maio de 2018. Com recurso aos fundos da 'Oaktree Capital Management', foi assim fundada a 'The Ritz-Carlton Yacht Collection', que operará no mercado de viagens de luxo com três iates. Com 190 metros de comprimento, os novos iates podem acomodar até 298 passageiros em 149 suítes, todas com varanda privativa. Somam-se ainda duas suites 'penthouse', cada uma com 138 metros quadrados. De acordo com a empresa, os itinerários das viagens – que deverão ter uma duração entre sete e dez dias – serão exclusivos e percorrerão diferentes regiões do globo, dependendo da estação do ano, incluindo vários destinos na Europa, Caraíbas e América Latina. Uma das vantagens prende-se com a reduzida dimensão das embarcações, que permite (ao contrário dos navios de cruzeiro gigantes) aportar em destinos tipicamente não acessíveis, como Capri, Portofino, St. Barths e Cartagena, entre outros. É possível também alugar os novos iates para viagens privadas. "Os iates vão com toda a certeza destacar-se e chamar à atenção em alguns dos mais glamorosos portos em todo o mundo", confirmou Herve Humler, presidente e CEO da Ritz-Carlton, sublinhando: "esta combinação única de iate e cruzeiro, em viagens de luxo, irá atrair clientes que querem descobrir o mundo de forma elegante e confortável com o máximo nível de serviços personalizados". 

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