Culture & Art

Jun 1, 2017

FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL

São guardas chuvas, mas de papel. Parecem resultar de uma técnica avançada de origami, mas na verdade é uma técnica bem diferente, também proveniente do Japão. 

Cada wagasa é feito a partir de materiais renováveis, entre os quais se destacam o bamboo, madeira de ego, corda, cola e washi, papel tradicional japonês. Este papel é a grande evidência na distinção para com os chapéus de chuva ocidentais. Diferenciam-se também pela produção manual – que pode demorar vários meses – ou pela quantidade de varetas que suportam a cobertura; enquanto o chapéu ocidental tem cerca de oito, este chapéu tradicional japonês pode ter entre 30 a 40 varetas. 

Desengane-se se pensa que o wagasa é inútil em dias de chuva, além do papel próprio ao efeito, é ainda fortificado e transformado à prova de água com persimmon, óleo de linhaça e óleo de madeira.     

Embora se tenha tornado célebre na cultura japonesa, o wagasa é proveniente da China, chegando ao Japão pelo uso em cerimónias budistas, uma tradição que remonta ao século VI. À época usado apenas entre membros privilegiados da sociedade, acreditava-se que oferecia proteção, não só do sol e da chuva, como ainda de maus espíritos.    

Existem vários tipos das vulgarmente chamadas sombrinhas japonesas: bangasa, preparada para a chuva; janome, que se distingue pelo padrão a partir do olho de cobra; nodategasa, com maiores dimensões, semelhantes a um guarda sol; e maigasa, indicado para as danças japonesas, mas não para a chuva.  

Apesar do importante papel ocupado na cultura do Japão, a produção do wagasa tornou-se cada vez menor, tendo o seu lugar sido tomado pelo chapéu ocidental, mais resistente e barato e, por isso, mais conveniente.

Em Quioto, capital do Japão durante largos anos, existem vários locais onde é possível adquirir um wagasa, mas apenas um estabelecimento continua fiel ao kyo-wagasa, um modelo exclusivo desta cidade. A loja Hiyoshiya apresenta os modelos icónicos dos wagasa originais e, em simultâneo, responde à concorrência, aliando a beleza do papel washi à decoração e desenvolveu um sem número de candeeiros que remetem em boa medida ao chapéu tradicional.

Os próprios wagasa têm vindo a tomar um papel proeminentemente decorativo, o que levou já artistas a dedicarem-se à sua criação para fins decorativos, que passa pela elaboração de padrões irreverentes na cobertura do chapéu ou mesmo de suportes que, uma vez mais, aliam a iluminação à sombrinha e, através da cor e textura do papel, tornam a luz única.    

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