Culture & Art

Jun 23, 2018

PRAZER CARIBENHO E DIVERTIDO

Em todo o mundo existem duas formas de expressão que são transversais a todas as camadas da sociedade: música e dança popular. Curiosamente (ou não), ambas ambas resultam de um cruzamento de culturas. Não admira, por isso, encontrar a Cumbia muito perto de ritmos africanos, mais do que os da América do Sul

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Por JORGE MATIAS

Pese embora não ser possível estabelecer com a mínima certeza o seu nascimento, estudiosos referem-se à Cumbia como sendo uma corrente musical das classes operárias e uma dança de cortejo praticada pela população nativa das costas colombianas das Caraíbas, praticada desde o século XVIII.

A sua verdadeira origem, porém, deverá ter ocorrido muito antes, provavelmente no século XVI – de acordo com um relatório enviado pelo Governador Perpétuo, Lope de Orozco, ao rei em 1580, sobre a província de Santa Marta, onde relata "os índios bebem e fazem festas com uma cana que é usada como uma flauta, que põem na boca para a tocar e que produz uma música que parece ter saído do próprio inferno".

Naquela altura não passava de uma melodia nativa, a Cumbia era praticada com a melancólica "gaita" e "caña de millo". É já no início do século XIX, que se mistura com tambores africanos e instrumentos europeus.

Em meados dos anos 1940 a Cumbia começou a espalhar-se desde as costas caribenhas para o interior do país, acompanhada por outros ritmos como o "porro" ou o "vallenato". O reconhecimento internacional da Cumbia é altamente promovido pelas várias editoras de discos localizadas na costa.

No seu "Compêndio do Folclore Colombiano", publicado em 1962, o estudioso Guillermo Abadía Morales explica que a Cumbia tem componentes de três culturas: essencialmente indígena misturada com a África negra e, embora com menos peso, a música espanhola, fruto de uma longa e intensa relação entre estas culturas durante a época da Conquista e Colonização.

Na instrumentação estão os tambores de origem africana: maracas, guache e os sopros (caña de millo e gaitas) de origem indígena, enquanto as canções são um contributo para a poesia espanhola. A presença de movimentos sensuais, especialmente charmosos, sedutores, caracterizam a origem africana das danças.

As vestes têm imensa influência espanhola: saias grandes e volumosas, laços, cortes abruptos, lantejoulas, chapéus floridos e maquilhagem intensa para as mulheres; camisa e calça brancas, marcada por um lenço vermelho ao pescoço e no chapéu.

Durante os anos 1960, o mais frutuoso produto da indústria musical colombiana já tinha muita atenção, que começou com a fundação da Discos Fuentes em 1934, a Discos Sonolux em 1949 e, pouco depois, a Discos Victoria.

Desde os anos 1940 que, as orquestras levaram a Cumbia para o Perú, onde ainda ganhou mais notoriedade. Graças a isto torna-se também muito conhecido na Argentina, El Salvador, México, Equador, Chile, Venezuela, entre outros. Isto levou os músicos locais a criar novas variantes de Cumbia como resultado da fusão de cada nação como é caso da Cumbia Argentina, a Cumbia Mexicana, a Cumbia Salvadorenha, etc.

A Cumbia tradicional está preservada e é considerada representante da identidade colombiana, especialmente na costa norte das Caraíbas. A melhor representação da Cumbia tradicional tem uma mostra anual no 'Festival de la Cumbia' em El Banco, Magdalena. O festival foi criado por um dos mais importantes compositores colombianos, Jose Barros, com a intenção de preservar os ritmos originais do estilo 'Cumbia'.

Em 2006, a Cumbia foi nomeada pelo Ministro da Cultura como um símbolo nacional da Colômbia e, em 2013, O Congresso Colombiano declarou o Festival Nacional de Cumbia Jose Barros em El Banco, herança cultural nacional.

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