Business & Industry

Dez 1, 2017

BILIÕES DE EUROS EM MOVIMENTO

Bolas, estrelas, grinaldas cintilantes, anjos, sinos, bonecos de neve, fitas, pinhas, entre outros variadíssimos enfeites e luzes, fazem da árvore de Natal o elemento central de toda a decoração natalícia. Uma indústria que emprega milhares de trabalhadores e movimenta milhões de euros.

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Por SAMIR NABIL

É Natal. Família reunida, árvore montada, ceia servida... os presentes não chegam a ser tão importantes, certo? Errado. Para a maior parte dos entrevistados de uma pesquisa da agência McCann, Natal sem presentes não é Natal. Segundo o estudo, as lembranças entregues a familiares e amigos consomem o tempo, dinheiro e paciência dos consumidores nesta época do ano – muitas vezes, mais até do que a decoração da casa e a própria ceia. Mas, mesmo assim, não podem deixar de existir.

O ritmo de Natal e as festas de final de ano são as datas que mais movimentam o mercado, um verdadeiro cenário de oportunidade de negócios. E é neste período que pessoas utilizam os "motores de busca" para encontrar o produto ou serviços que as empresas oferecem, um cenário perfeito de oportunidade para a expansão dos negócios atraindo mais e novos clientes.

Com mais de 2,5 milhões de pessoas entrevistadas em 13 países diferentes, o estudo sobre gostos, costumes e emoções sobre o Natal demonstra que as celebrações dos dias 24 e 25 de Dezembro são vistas como as mais importantes do ano, à frente de aniversários, festa de Ano Novo e até mesmo do Dia das Mães.

Apesar de toda a atenção dada à ocasião, os empresários não devem pensar que os consumidores são ingénuos. De acordo com o estudo, 60% deles vêem o Natal como uma data puramente comercial, na qual se gasta demais. Mesmo assim, ficar sem presentes não é uma opção para a maioria dos entrevistados. 52% deles afirmam: "sem presentes, não há Natal".

Assim, a solução é tomar coragem e enfrentar as ruas e centros comerciais lotados. Esta parte é uma das piores para o consumidor. A maioria acha que comprar presentes é o momento mais angustiante de todas as compras feitas para o dia 24. E uma das mais caras também – só perde para a compra de alimentos. É por isso que 84% dos consumidores preferem comprar itens que estejam em promoção, sendo este o principal factor para que uma compra seja fechada ou não. Em importância, a qualidade dos produtos só aparece depois.

Os locais favoritos são os centros comerciais. Nesses locais os produtos são atractivos e estão em promoção nesta época do ano.

Os filhos são os que recebem mais presentes no Natal, de acordo com a pesquisa. E é com eles que se gasta mais também.  Os parceiros ocupam o segundo lugar, com 29%, seguindo-se os pais e os amigos.

Perante estes dados, alguns analistas de mercado sugerem medidas que podem ser interessantes para as marcas apostarem nesta data. É importante, por exemplo, fazer com que o consumidor não stress durante as compras. E como? Ajudando as pessoas a ter mais informação para decidir o que comprar, e garantir mais segurança numa época cheia de assaltos e ruas cheias, são algumas das medidas apontadas pela agência.

Para os especialistas, o mais importante é não esquecer a essência da data. "É fundamental que as marcas saibam respeitar os símbolos do Natal: família, reunião, alegria, amor, carinho e ir além das promoções. Afinal elas já estão presentes o ano todo", diz o estudo.

CULTO DA FERTILIDADE

A árvore de Natal, como a conhecemos, nasceu no seio dos povos germânicos que celebravam a fertilidade da natureza recorrendo a árvores enfeitadas, a partir do século XVI. Contudo, foi só no século XIX que a tradição decorativa alastrou ao resto da Europa, muito devido à influência da realeza. Um acontecimento que ajudou a espalhar esta tradição foi a própria árvore de Natal montada pelo Príncipe Alberto, marido alemão da Rainha Vitória, no Palácio Britânico, corria o Natal de 1846. Uma gravura da família real junto da árvore, publicada na revista "Illustrated London News", levou a tradição decorativa tão longe como era então o domínio do Império Vitoriano.

Durante o mesmo século XIX, o Rei Dom Fernando II (marido da Rainha Dona Maria II e primo do Príncipe Alberto de Inglaterra) ajudou a proliferar o costume em Portugal, onde a tradição natalícia decorativa mais antiga remontava apenas ao presépio. Com o nascimento dos infantes, Dom Fernando II iniciou festejos e decorações de árvores de Natal bem à moda germânica da sua infância – e hoje ainda se conservam gravuras que ilustram o Rei vestido de São Nicolau, enquanto distribuía presentes em família.

Com o século XX, a chegada da televisão e a indústria publicitária a fazer uso da figura do Pai Natal, decorar uma árvore de Natal passou a ser – mais do que uma tradição – uma verdadeira festa, à volta da qual se reúne a família. A emoção de escolher uma árvore, dispor os enfeites e juntar as figuras do presépio traz consigo até uma espécie de magia, onde cores, sons, luzes, cheiros, brilhos, formas e texturas se mesclam entre as gargalhadas dos mais pequenos e o aroma a canela vindo da cozinha. 

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