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Dez 18, 2018

AZERBAIJÃO

O antigo, o novo e o futuro

" O Azerbaijão é um país que impressiona em vários aspectos e é relativamente desconhecido nos países ocidentais. Partindo desde logo pelo facto de – ao contrário que muitos pensam – não ficar perto do Afeganistão e ser um país bastante seguro (um pouco por causa de algumas leis que restringem fortemente algumas liberdades em nome dessa segurança)."

Os mais antigos registos de estabelecimento humano na região que hoje é o Azerbaijão, datam do final da Idade da Pedra (entre 6000 e 2500 anos a.C.). Entre o século IX a.C. e o século V d.C. a região foi habitada pelos Citas, seguidos dos Medos (que construíram um vasto império entre 900 e 700 a.C.) e, mais tarde, a região tornou-se parte do império de Alexandre, o Grande.

Ensina-nos a história que a região ainda foi governada por habitantes da actual Albânia, Arménios, Bizantinos, e Turcos, que estabeleceram uma região delimitada que hoje conhecemos como Azerbaijão em 1030.

A língua azeri actual é o resultado natural desta miscigenação de culturas.

Depois de declarar a sua independência do Império Turco-Otomano em 1918, o território foi anexado pela União Soviética em 1920. Contudo, ainda antes da dissolução da URSS, voltou a declarar a sua independência em 1991, com a designação definitiva de República Democrática do Azerbaijão.

O país é delimitado a leste pelo Mar Cáspio, a Rússia a norte, Geórgia a noroeste, Arménia a oeste e Irão a sul. Através da república autónoma do Naquichevão (um enclave que faz parte da constituição geopolítica do Azerbaijão) ainda conta com uma pequena fronteira a noroeste com a Turquia.

A população de perto de 9,5 milhões de habitantes, é maioritariamente muçulmana, embora o país não declare oficialmente uma religião dominante. A seguir ao Egipto, o Azerbaijão foi a primeira nação de maioria muçulmana a contar com óperas, teatros e universidades modernas.

Ao contrário do que se poderia imaginar, o pequeno país do Cáucaso possui um alto Índice de Desenvolvimento Humano e de alfabetismo.

Fruto da sua localização geográfica, o Azerbaijão apresenta altos níveis de desenvolvimento económico, sendo a 78ª maior economia de exportação do mundo, em 2016. Neste aspecto, é absolutamente obrigatório referir que, apenas durante a última década, o PIB do Azerbaijão "apenas" cresceu 182%, valores que indicam claramente um crescimento médio anual de dois dígitos e que poucos países no mundo se podem vangloriar de conseguir.

Grande parte deste crescimento, provém da exportação de petróleo e gás natural. Isto deve-se ao facto de mais de dois terços de todo o território contarem com imensos depósitos destes dois combustíveis fósseis que são também a principal fonte de energia consumida pelo país. No caso do petróleo, é impossível ignorar os vastos campos de torres de prospecção junto ao Mar Cáspio e, há zonas onde o petróleo brota do chão e quase nem é necessária grande maquinaria para o recolher.

Graças a essa abundância, são produzidos diariamente uma média de 1,4 milhões de barris de petróleo o que levou o governo a firmar (em 1994) contratos de 30 anos com empresas como a BP (British Petroleum), a ExxonMobil, a LUKoil e a Statoil.

Contudo, a riqueza natural do país não se resume a petróleo e gás natural. A região do Cáucaso Menor (sudoeste) é também muito rica em minérios como ouro, prata, ferro, cobre, titânio, crómio, magnésio, cobalto, molibdénio e antimónio.

Embora uma parte importante da extracção de petróleo seja feita nas águas profundas do Mar Cáspio, este conserva uma riqueza igualmente importante: o caviar beluga. O caviar é feito a partir de ovas de esturjão, que é um dos mais importantes "inquilinos" do Mar Cáspio.

Apesar de ser produzido por outros países que têm fronteira com o Cáspio, a variedade beluga produzida no Azerbaijão é uma das mais apreciadas no mundo e, também, das mais caras (o preço por kg pode facilmente atingir os 25.000 dólares americanos). 

Como é natural, a cultura no Azerbaijão reflete as várias influências que o país absorveu ao longo de milhares de anos, desde as raízes turcas, persas, islâmicas e da Ásia Central, até à recente influência da era soviética. Contudo, actualmente, graças a uma grande abertura à era da globalização, esta república caucasiana tem sabido incorporar com bastante fluidez, várias influências ocidentais.

Um dos aspectos mais peculiares desta nação é o seu clima, fortemente influenciado pelas massas de ar frio provenientes do Ártico que são arrastadas pelos anticiclones escandinavo, siberiano e da Ásia Central. Isto poderia indiciar um clima frio durante todo o ano, mas não é isso que acontece.

A Cordilheira do Grande Cáucaso protege a paisagem variada do país da influência directa destas massas de ar frio e dão origem a um clima subtropical em grande parte da superfície do país. Estas zonas caracterizam-se por ter altos níveis de radiação solar. Graças à diversidade geográfica, no Azerbaijão podem ser encontrados nove dos onze climas existentes na escala Köppen-Geiger.

Apesar destas condições climáticas peculiares, o que predomina na maior parte do território são os verões quentes e invernos temperados, sendo que as temperaturas mais extremas já verificadas vão desde os -33ºC até +46ºC. A queda de neve restringe-se às zonas mais altas e montanhosas, a norte.

Uma das maiores curiosidades naturais do Azerbaijão são os vulcões de lama. Sim, de lama, leu bem. Imagine um vulcão em miniatura, com uma altura máxima de um ou dois metros, a borbulhar lama. Se visitar o Azerbaijão e tiver curiosidade, tenha cuidado porque estes explodem com frequência e os menos avisados correm grandes hipóteses de ser atingidos pela lama. Esta lama, outra curiosidade, pode ser quente ou fria.

Oficialmente a capital do Azerbaijão, Baku, tem pouco mais de 2 milhões de habitantes, mas o centro antigo da cidade, meticulosamente limpo e preservado, existem várias ligações para diversos subúrbios de estilo soviético onde a maior parte da população vive. Estimativas não oficiais dizem que a população urbana andará perto dos 5 milhões de habitantes – é a maior cidade do Cáucaso.

Em Baku, os sinais da riqueza proveniente da exportação de petróleo, estão por todo a parte. É de longe a cidade mais opulenta desta região do mundo. As grandes avenidas em estilo 'art nouveau' lembram as avenidas parisienses; parques floridos, esculturas e fonte decoram cada rua ou pequeno largo; a beira do Cáspio é acompanhada pelas grandes mansões dos empresários do petróleo; as melhores marcas de moda e luxo mundiais marcam a sua presença.

A arquitectura, em Baku, também impressiona pelos contrastes. Além da cidade medieval – já lá iremos –, dos edifícios do século XIX e da arquitectura funcional da era soviética, por lado se constroem novos e gigantescos edifícios ao melhor estilo 'Dubai'. 

Dentre estes, destacam-se claramente as Torres Chama, no sudeste da cidade. São três estruturas de vidro descomunais que lembram uma fogueira ou uma orquídea que se abre.

No centro da cidade, uma muralha de pedras escuras, marca a zona da cidade medieval, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. Esta zona é encantadora e charmosa, com uma atmosfera única e alberga dois locais cuja visita é obrigatória: o Palácio dos Shirvanshahs (sede da dinastia reinante durante a idade média) e a Torre da Donzela.

No palácio é possível visitar os aposentos reais, a mesquita privada da corte, os banhos palacianos e o fabuloso cemitério sufista.

A Torre da Donzela permanece um mistério ainda hoje, até para arqueólogos e historiadores. É uma gigantesca estrutura em pedra, sem adornos ou decorações e, aparentemente, para a qual não se consegue encontrar uma específica finalidade ou utilização. Na base, as paredes têm cinco metros de espessura e os visitantes podem subir a torre para obter uma vista magnífica sobre a cidade e sobre o Cáspio.

Acrescente-se que Estádio Olímpico de Baku, vai receber, em 2020, três jogos da fase de grupos e um dos quartos de final do Campeonato Europeu de Futebol.

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