Technology

Fev 29, 2016

A Revolução da Impressão 3D

A impressão 3D pode parecer uma coisa estranha. De facto, é semelhante a clicar no botão de "imprimir" no ecrã do computador e enviar um ficheiro digital como um texto para a impressora de jacto de tinta. A diferença está no tipo de "tinta" que é usada. No caso das impressoras 3D, é um material depositado em finas camadas sucessivas até formarem um objecto sólido.

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As camadas são definidas pelo software que cria uma série de fatias digitais através de um programa de desenho assistido por computador. A descrição de cada uma destas fatias é então enviada para a impressora 3D para que construa as respectivas camadas. A aplicação é feita de várias formas. Pode-se espalhar pó num tabuleiro que solidificará no padrão escolhido através da aplicação de aglomerador líquido, ou através de sinterização com um laser ou feixe de electrões. Algumas máquinas depositam filamentos de plástico derretido.

Engenheiros e designers usam impressoras 3D há mais de uma década, principalmente para criarem protótipos de forma rápida e barata antes de iniciarem o dispendioso processo de criação de ferramentas para produção de algo. À medida que as impressoras 3D se tornam mais capazes e passíveis de trabalhar com uma maior variedade de materiais, incluindo plásticos e metais de alta qualidade, são cada vez mais usadas para criar os produtos finais.

Muitas pessoas estão a usar a tecnologia de impressão tridimensional para criarem coisas notáveis. Nestas incluem-se implantes médicos, joalheria, botas de futebol customizadas, abajurs, peças para carros de competição, baterias e telefones móveis personalizados.

Existem várias formas de imprimir em 3D e todas são aditivas, diferenciando-se principalmente na forma como as camadas são construídas para criar o objecto final. Usar impressoras 3D como ferramentas de produção tornou-se conhecido na indústria como fabrico "aditivo" (em oposição ao anterior - "subrativo" que consistia em corte, perfuração e contusão). O processo aditivo requer menos matéria-prima e, porque o software controla a impressora, cada item pode ser feito de forma diferente sem ser necessário refazer as ferramentas. As impressoras podem ainda produzir objectos prontos a usar que tenham menos requisitos de montagem ou que não sejam tão fáceis de produzir com métodos convencionais. A impressão pode ser feita em nylon, aço e até titânio e potenciar o fabrico porque reduz custos e riscos. As peças podem ser feitas em agentes e reparadores, as unidades de montagem podem eliminar a necessidade de gestão de fornecedores ao fazerem os componentes à medida que necessitam deles.

Talvez o aspecto mais emocionante do fabrico aditivo se prenda com a redução de custos para entrar no negócio da fabricação. Um empreendedor pode criar uma ou duas amostras com uma impressora 3D para saber se a ideia resulta, fazer mais algumas para testar a venda e efectuar alterações que os compradores sugiram. O sucesso do fabrico vai depender menos da escala e mais da qualidade das ideias.

Será a impressão 3D uma prática comum? A resposta simples é: AINDA não. Os inícios da revolução aparecem num inquérito feito em 2014 pela auditora PwC, a mais de 100 empresas manufactoras. À data deste inquérito, 11% das empresas já tinham escolhido a produção em quantidade para peças ou produtos impressos em 3D. De acordo com os analistas da consultora Gartner, uma teconologia é prática comum quando atinge 20% de adopção pela indústria.

Algumas indústrias já adoptaram a impressão 3D. Os fabricantes aeronáuticos substituíram nuito do metal nas estruturas das aeronaves por compósitos de fibra de carbono de baixo peso. A indústria dos aparelhos auditivos nos EUA converteu-se ao fabrico aditivo em menos de 500 dias.

À medida que aumentam as aplicações da tecnologia e os preços diminuem, a primeira grande conclusão é que mais produtos serão fabricados na altura da compra, ou muito próxima desta. Outra conclusão é que os produtos serão cada vez mais personalizados, porque alterá-los não exigirá a criação de novas ferramentas, basta fazer mudanças no software. A criatividade será primordial para ir ao encontro das necessidades dos clientes, tal como o foi o controlo de qualidade na era da produção em série.

Fabricar componentes customizados em baixos números, de alto valor-acrescentado é muito bom, mas poderá o fabrico aditivo competir com técnicas de produção em massa que têm sido usadas durante mais de um século? As técnicas estabelecidas não serão abandonadas, mas já é facto assente que as fábricas do futuro terão impressoras 3D a funcionar ao lado das máquinas tradicionais, tomando para si grande parte do trabalho destas.

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