Science & Nature

Jul 1, 2017

E O HOMEM CRIOU A APP

Quem se lembra do filme Minority Report, de 2002, em que Tom Cruise ia passando a mão e os dedos num écran com informação para a organizar, ampliar ou descartar, percebe que entre aquele futuro e a realidade, o tempo foi muito curto. 

Se a informática é já considerada a terceira revolução humana, as apps são uma revolução dentro da revolução. Mas antes de mais é preciso recordar como chegamos aqui.

Do pager ao smartphone

O primeiro passo deu-se ao longo destas últimas três décadas com o desenvolvimento tecnológico que foi permitindo a redução dos aparelhos electrónicos e, simultaneamente, aumentando a sua capacidade. Uma verdadeira miniaturização dos instrumentos, máquinas e ferramentas electrónicas acabou por resultar na fusão de aparelhos que há poucas décadas eram separados, culminando na fusão do telemóvel com o computador.
Telefone, mail e mensagens, rádio, leitores de música (gira-discos ou CD), relógio e despertador, agenda e notificações, TV e leitores de vídeo (VHS ou DVD), biblioteca, enciclopédia e dicionário, jornais e revistas, mapa, guia, lista telefónica, GPS e bússola, máquina de escrever, processador de texto, máquina de calcular.
Quem é que ainda usa despertador ou leitor de CDs? Já imaginou a quantidade de objectos que foram desaparecendo? O espaço poupado ou o lixo electrónico produzido?

Ver interagir e adicionar

O segundo passo deu-se com a criação da tecnologia que permitiu fundir o rato e o teclado no écran e fez desaparecer fios. Estamos a falar das comunicações wireless e dos écrans tácteis. Estes últimos criaram o dispositivo portátil que permite interagir, um interface físico incorporado no mesmo dispositivo que permite a visualização e nos fez passar do "clique" ao arrastar os dedos e tocar nos menus.

O terceiro passo surgiu com a chamada Web 2.0. O aumento das velocidades de comunicação com protocolos mais eficazes, maior largura de banda e melhores servidores. Permitiu que a internet passasse de uma comunicação unilateral para uma comunicação bilateral em que é possível ao utilizador adicionar conteúdo.

Há uma app para isso

Com a transformação do telemóvel em computador naquilo que se designou por smartphone a criação de aplicações – abreviadas por apps – proliferou e hoje em dia há aplicações para tudo. Longe vai o tempo em que o telemóvel estava limitado a calculadora ou ao jogo Snake que vinha de origem nos Nokias, em 1998.

Hoje podemos comprar ou obter gratuitamente todos os tipos de jogo, ou fazer download de mais calculadoras do que podemos imaginar. As apps vão desde agendas e ferramentas de edição até agregadores de conteúdos. Apps para a saúde, actividade física, sono ou alimentação. Com diferentes aspectos e funções.

Da produção à comercialização

As apps não são mais que aplicações que executam uma funcionalidade através do recurso ao sistema operativo, que pode ser Android, Windows, Blackberry, Ubuntu ou IOS no caso dos iPhones ou iPads, ou pela ligação a uma base de dados no caso de conteúdo como por exemplo jornais, filmes ou música.

Certamente já se cruzou com os termos UI (user interface), UX (user experience) ou API (interface de programação de aplicações). São as novas aptidões profissionais exigidas a designers e programadores que criam estes pequenos programas e que envolvem desde conhecimentos básicos de design, semiótica para o uso e criação de símbolos ou ícones, de cognição para a percepção do que é intuitivo ou não e de ergonomia para optimizar os movimentos em relação a repetição de funções como, por exemplo, num jogo.

Após o desenvolvimento, as apps são disponibilizadas nas lojas on line. O sistema iOS tem a App Store como ponto exclusivo de distribuição e testa-as, podendo ou não aceitar essas apps. Já o sistema Android, embora tenha como ponto principal a Google Play, não é exclusivo.

As apps podem ou não ser pagas. Quando não são pagas normalmente possuem publicidade ou requerem complementos que são pagos, chamados compras integradas.

O número de criação de empregos ligados ao desenvolvimento e comercialização de Apps têm vindo a crescer progressivamente e em 2013, por exemplo, eram estimados 529 mil empregos directos só na União Europeia.

A App store que começou em 2008 com 500 apps e hoje adiciona 20.000 apps por mês. Nos quatro anos seguintes à abertura foram feitos 40 biliões de downloads de apps.

A Forbes estima que actualmente existam 900 milhões de utilizadores de apps Android e 600 milhões iOS; e que 5 mil milhões de dólares foram pagos pela Apple aos criadores de apps e que a Google terá pago cerca de 900 milhões aos seus criadores.

Entregar a alma às apps

Com tamanhos investimentos, é de esperar frutos para muito breve. E esses já se começam a evidenciar – mais memória para dispositivos cada vez mais pequenos, melhores desempenhos e mais funções, maior conectividade e interactividade.

Por estas razões, o desenvolvimento das app para smartphones ou tablets já não preenche todas as necessidades e requisitos do utilizador mais exigente. Assim, começam também a surgir outros aparelhos "smart" que permitem maior interacção por parte do utilizador. Estamos a falar de frigoríficos que analisam o seu próprio conteúdo e as faltas dos alimentos habituais, que até fazem encomendas junto do seu distribuidor e ainda efectuam o pagamento por transferência bancária; robots de cozinha que preparam o jantar à ordem de uma indicação dada através do "smartphone"; sistemas home-audio que reproduzem música ao comando da voz e que podem gerir diferentes ambientes em diferentes partes da casa, etc.

Basicamente, todos os aparelhos com componentes electrónicos poderão em breve ser programados ou programáveis, bastando que haja o devido desenvolvimento e rentabilidade.

Para além de todas estas evoluções, estes dispositivos "smart" estão também a tornar-se "user-friendly". São mais simples e intuitivos de operar e alguns, como é o caso do Siri, são tão interactivos que falam com o utilizador.

Conclusão? Estamos a assistir ao fim do tempo em que eram necessários grandes conhecimentos para cumprir pequenas funções. Agora, apenas precisamos de melhores equipamentos e apps mais desenvolvidas e eficazes.

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