Business & Industry

Abr 13, 2018

UMA NOVA ETAPA PARA O MÉDIO ORIENTE

Infelizmente, falar de Médio Oriente traz muitas vezes associada a ideia de guerra e conflitos, pois esta região charneira entre o Ocidente e o Oriente ainda não encontrou uma situação completamente estável desde o fim do Império Otomano há cerca de 100 anos

Por ALEKSANDR SAVCHENKO

No entanto, é um erro generalizar, pois em toda a região há países que souberam encontrar formas de estabilidade e desenvolvimento que os tornam hoje faróis de bem-estar e prosperidade que constituem exemplos a seguir, não apenas no Médio Oriente, mas também noutras regiões que procuram ultrapassar situações de atraso económico e social.

Um desses países é o Qatar, que se tornou independente em 1971, há apenas 47 anos, depois de se separar do Império Otomano e ter terminado o regime de protectorado da Grã-Bretanha, iniciado em 1916. Curiosamente, alguns séculos antes, o Reino de Ormuz, que no século XVI incluía a Península do Qatar, foi protectorado do Reino de Portugal, que, nessa época, exerceu domínio nesta região após a chegada do navegador Vasco da Gama à Índia.

Durante muitos anos dependente da pesca e da apanha de pérolas, a economia do Qatar transfigurou-se com a descoberta de grandes jazidas de gás natural e de petróleo a partir de 1939. Embora a sua exploração só se tenha iniciado anos mais tarde. Hoje, o Qatar possui enormes reservas cambiais e investimentos estratégicos em todo o mundo, através dos seus fundos soberanos, de que se destaca o Qatar Investment Authority e o Qatar Holdings, que possuem participações em bancos e grandes empresas mundiais, na Europa, nos Estados Unidos, na China e noutras partes do mundo. 

Desde 1971 o Estado do Qatar está organizado sob a forma de monarquia, é um pequeno país com apenas 2.3 milhões de habitantes, de que apenas 12 % são cidadãos nacionais e os restantes são emigrantes expatriados que aí trabalham, gozando o Qatar duma grande capacidade de influência regional. Dada a sua posição geográfica entre a Arábia Saudita e o Irão, o Qatar desempenha um papel charneira no mundo árabe, mantendo parcerias e alianças com grandes potências mundiais, como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França e a Turquia.

Sendo o Qatar um verdadeiro "hub", um ponto de encontro entre o Ocidente e o Oriente, como demonstra a dimensão e importância da Qatar Airways, uma das melhores e maiores companhias de aviação do mundo, o Qatar soube compreender que era o momento de aproveitar a atracção e fascínio pelo futebol e se tornar o polo essencial para atrair milhares de espectadores da região para estarem presentes no maior evento de futebol: o Campeonato do Mundo de Futebol. A sua candidatura para organizar o campeonato de 2022, submetida em 2010, foi a escolhida e o País tem feito um enorme esforço de construção de estádios, hotéis e infraestruturas para que tal seja um êxito de repercussão mundial.

Apesar de ser o país com o mais elevado rendimento per capita do mundo e um muito alto nível de desenvolvimento humano, devido às grandes reservas de gás e petróleo, não tem sido fácil avançar ao ritmo necessário para que se encontre completo e perfeito na data inicial, o que tem até suscitado diversas críticas de algumas entidades talvez interessadas em que o Qatar falhe esse ambicioso objectivo, que se estendem das características climáticas até às condições de trabalho dos milhares de operários imigrantes que aqui encontram trabalho que não existe nos seus países de origem.

Contudo, mantendo-se o ritmo e o empenho das Autoridades Qataris, tudo aponta para que, em 2022, ocorra em Doha a 22ª edição do Campeonato do Mundo de Futebol. Nesse âmbito, o Qatar está a construir oito estádios e a adoptar tecnologia para os mesmos incorporem sistema de ar condicionado para fazer baixar a temperatura, que é muito elevada nos meses de Verão, mas a principal medida para evitar o calor está a ser estudada de forma a que o campeonato decorra entre Novembro e Dezembro de 2022 e não nos meses de Julho e Agosto.

Para a promoção do evento, o Qatar conta com um meio de comunicação de alcance mundial e de grande qualidade: a televisão Al Jazeera. Iniciada como uma estação de televisão de âmbito local, rapidamente atingiu uma dimensão e um nível de qualidade que a colocam entre as principais redes de informação mundial. Emite em árabe desde 1996 e em inglês desde 2006, e tem estúdios em Doha, Londres, Washington e Kuala Lumpur, sendo regularmente vista por dezenas de milhões de pessoas em cerca de 50 países, com predomínio junto de falantes da língua árabe, o que dá ao Qatar a possibilidade de divulgar e promover o Campeonato do Mundo de Futebol de 2022 à escala global e em especial na região do Médio Oriente.

Depois da FIFA ter escolhido a África do Sul (2010), o Brasil (2014) e a Rússia (2018), a escolha do Qatar para organizar o Campeonato do Mundo de Futebol em 2022 mostra uma clara estratégia de levar o gosto pelo futebol a novas regiões do mundo que ainda não tinham grande atracção e conhecimento deste popular deporto. Mas, há que reconhecer que o interesse pelo futebol em países árabes é já muito importante, como o demonstra a participação da Arábia Saudita, do Irão, do Egipto, de Marrocos e da Tunísia no Campeonato de 2018 que se realiza na Rússia.

Entre as principais justificações para a decisão de trazer o maior evento do futebol para o Médio Oriente está a ideia de usar este desporto de multidões como factor de aproximação e tolerância entre representantes de países que podem ter diferentes visões do mundo e da vida, mas que são capazes de competir desportiva e pacificamente de forma sadia, dando assim um bom exemplo para a instauração do diálogo para a construção da paz. 

O Qatar tem, aliás, sabido aproveitar os seus recursos para dinamizar manifestações culturais e artísticas e também para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Assim, aproveitar o ano de 2022 e a realização do Campeonato do Mundo vai ser uma grande oportunidade para o turismo, o lazer, o desporto e a cultura numa região que foi berço da civilização. Além disso, o povo qatari está a preparar-se para receber os turistas, ainda que possa haver algumas diferenças culturais e de costumes, mas que acabam por mostrar uma imagem diferente e interessante deste País em flagrante progresso.

Uma visita ao Qatar e a outros centros de atracção turística na região, como o Dubai, no final do ano de 2022, aproveitando os circuitos turísticos especialmente organizados a propósito da realização do Campeonato Mundial de Futebol, é uma oportunidade única para conhecer esta região cheia de história, cultura, beleza, oportunidades de negócios e ambiente aberto.

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